Mostrando postagens com marcador Belém. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Belém. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Crônica da semana - Raimundo Sodré

O buraco da palmeira é mais embaixo
Em janeiro, dediquei as minhas escrivinhações de sábado a Belém. Em meio às homenagens pelos 394 anos da cidade, foi a maneira que achei de expressar a minha gratidão por este solo tão gentil.
Fui apenas mais unzinho. Muitos apaixonados declararam seu amor por Belém e das mais variadas formas. Acompanhei. Em shows, em reportagens especiais, em programações temáticas, exposições, testemunhos emocionados nos veículos de comunicação. Poesias, confissões, canções. Belém merece.
Não quero ser aqui, um desmancha prazer. Mas nem tudo são flores. Vou fechar este mês, com algumas necessárias reflexões.
Belém tem problemas graves e a cada dia clama para que seus enamorados a acudam. Assim como a bela de Toboso, a cidade anda por demais vexada ante inúmeros e insidiosos dragões.
Agora, pela época da chuva, é uma consumição só. Um respingo de nada é suficiente para a cidade submergir. E a gente, para garantir a rotina, tem que se arriscar com a água até aqui, ó, com o risco de sair lá no seco, no mínimo, com duas ou três ‘chamichugas’ serpenteando atrevidas na batata da nossa perna.
O trânsito é outro tormento. Deu de tardezinha, já era. O Entroncamento faz jus ao nome (todos os carros, todas as vidas, os ácidos humores e as indizíveis dores, unem-se em um tronco só) e aí, quem desata?
Educação, saúde pública, lazer e zelo ambiental fazem parte de um feixe de direitos que tentamos a todo custo abrigar entre as mãos, mas quite. Escapolem. Fogem da gente. Ganham rumo ignorado. E a gente, olha, atrás...E fala...E luta...E vota...E quando a gente pensa que vai conseguir, quando a gente bota fé que o governo tal vai dar aquela força...Nada...Os nossos sonhos se esvaem, escapolem de novo...
O dragão que se materializa com toda brutalidade e nos assusta, e nos acossa e nos reprime com mais intensidade e fogo é, com certeza, a violência. Não digo que a tensão social é um privilégio nosso, mas por ser Belém uma cidade do bem, por ser nossa cidade, aquela Belém da memória, aquela da saudade, uma cidade de paz que nos permitiu tantas vezes sentar à porta para apreciar o movimento da rua, não conseguimos digerir este estado de violência que vivemos. E não aceitamos isso.
A cada esquina, um risco. E não mais nos escondidos do subúrbio. Não há segregação para o mal e nem para as más intenções. As coisas acontecem descaradamente, a olhos vistos e ninguém está livre de ser hostilizado.
A violência, entretanto, não se realiza apenas no argumento covarde de uma arma. Somos agredidos de várias formas, e de igual maneira, covardes. A toda hora somos atazanados pela barulhada que impera na cidade. Nos reduzimos ante uma perversão sonora que se alastra como uma praga indomável. A todo instante, dezenas de decibéis invadem nosso cérebro despejando pelo caminho graves latejantes, agudos irritantes, versões bizarras, produtos, berros entrecortados, serviços, reverberações, batidões e a irrefutável falta de educação. E nos transformam em bagaço de gente. Poroso, inquieto, nervoso. E nos acendem as lâmpadas dos olhos, inadvertidamente, em plena hora do sossego, do estudo, da reflexão. Somos obrigados a nos divertir com a diversão dos outros. E ainda: estamos perdendo nossos jovens para os vícios, espreitas vis e para os enxerimentos on line. Um mix venenoso que corrói o fígado e a sensatez dos nossos meninos.
Mas Belém é celeiro de um povo conquistador. Tenho esperanças. Podemos trazer a nossa Belém de volta. A Belém de paz, do conforto social, da realização cidadã. Vale a pena apostar nisso e reagir. Porque amamos Belém.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Crônica da semana - Raimundo Sodré

O largo da Palmeira

A periferia de Belém alimenta a nossa saudade. Define os nossos ressurgentes calores subjetivos. A franja da cidade guarda em si pedacinhos adocicados da história de cada um de nós.
Mas o que nos identifica como coletividade, o que nos certifica como um conjunto de cidadãos orgulhosos é, evidentemente, o centro. Mais exatamente aquela fatia da cidade que se espraia a partir do Forte do Presépio e se acomoda no interflúvio que se impõe entre o rego do Piry e o alagado do igarapé das Almas (aquele trecho entre o Ver-o-Peso e a Doca).
Neste espaço mágico, visões e conceitos estéticos se encontram nos ‘éles’ de Lemos e de Landi. Geometria moderna e traços medievais se decompõem em pura poesia ‘concreta’. É um espaço plural. Repleto de jóias da criação.
Ali, também tenho os meus cantinhos e as igrejas têm um lugar todo especial no meu coração belemense.
Até um dia desses, a minha preferida era a do Carmo. Mas depois que eu vi a igreja da Sé restaurada...
São importantes, as igrejas, e para mim, elas se destacam não só pelo caráter religioso. Os nossos templos históricos ao mesmo tempo em que se esmeram em suntuosidades arquitetônicas buscando os céus, estabelecem uma linguagem terrena, abraçam crentes e pagãos com suas fachadas acolhedoras. Ao largo das igrejas, percebo uma certa indulgência para com nossos atos e intenções. É normal agregar-se a um grande templo, uma praça verde e libertária. E nela, são reveladas as emoções profanas (como o Fofó de Belém, do Eloy Iglesias) ou reiteradas a fé e a crença (como a concentração para o sacrifício da Corda, no Círio de Nazaré).
As edificações, portentosas e belas registram-se como
igrejas construídas e, como povo em eterna construção. Emergem da ancestralidade como símbolo de uma história santa e pecadora. Animam a nossa fé, e paradoxalmente, atiçam a nossa curiosidade e ratificam nossos medos (será que tem um menino de castigo, duro, com a língua pra fora, com a vassoura na mão porque queria bater na mãe, atrás da porta da catedral da Sé?).
Entendo que há um diálogo, uma energia edificante ladeando nossos prédios históricos.
O conjunto igreja do Rosário/ igreja de Sant’ana é para mim o exemplo mais eficaz desta integração entre as construções. Estão bem próximas. A igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos ergue-se numa esquina da Padre Prudêncio. Uma quadra depois, além do buraco da Palmeira, está a igreja de Sant’Ana. As duas são um brinco. Delicadas. Humildes e dispostas. Entregam-se sem receio à cidade. Na igreja do Rosário, me encanta aquela pracinha, à entrada, quase intacta, preservada, solitária, ordeira, quase um alpendre interiorano. Parece uma redinha da tarde pronta para embalar a poesia e para ouvir os nossos segredos.
Do outro lado do buraco, a igreja de Sant’Ana pressionada pelo ir e vir urbano. E é verdadeiramente mais urbana. A pracinha, dissociada da calçada, separada pela rua, é também, convenientemente, desatrelada da inocência. Embora respeite o gradil da igreja de Sant’Ana, a pracinha é alegre e libertina, algo como um brando arremedo da carioquíssima Cinelândia.
As duas igrejas, parece que se complementam em prodigalidades e carências. Existem para serem parceiras. São construções estética e socialmente siamesas. Necessitam de um diálogo constante. Eu não sou arquiteto, nem nada, mas se pudesse apitar alguma coisa, jamais separaria Sant’Ana da igreja do Rosário dos Homens Pretos. Jamais levantaria um muro feio e frio entre as duas. Jamais. Mesmo que para isso, tivesse que eternizar o antigo largo como o, já referendado, buraco da Palmeira.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Crônica da semana - Raimundo Sodré

Não vou sair, não vou deixar este lugar



Hoje, é bem mais fácil de entender. Abro o Google Earth e num instantinho reconstruo a viagem que fiz desde os férteis barrancos do rio Acre até a indefinida foz do Amazonas. Na imagem, revisito os retorcidos rios ocidentais; a inesgotável bacia hidrográfica; o sufocante estreito de Breves; a imensidão marajoara; a mansidão do Arrozal; os acintosos espigões; a simetria britânica e a perdoável arrogância das torres do mercado de ferro do Ver-O-Peso... Belém.
A baía do Marajó nos deu as boas vindas com um furioso banzeiro que levava o Domingos Assmar a uma perigosíssima coreografia alternando-se em audaciosas inclinações a bombordo, a estibordo. E a gente enjoando, se desesperando. Mamãe cuidando. Acalmando. Até que, impotente diante da forças das águas, nos juntou os quatro pequenos no camarote e nos uniu em fervorosa oração.
Deus sabia que queríamos ser paraenses, e quando ouvimos a quebradeira do mato, quando sentimos o ronco dos motores suavizar-se num surpreendente desafogo, quando percebemos um deslizar cômodo e seguro sobre o tapete líquido do furo do Arrozal, paramos de chorar, e nos abraçamos felizes com a certeza de que chegaríamos naquela Belém que mamãe tanto falava. Naquele lugar mágico margeado por florestas, rios grandes, sonhos e desejos. Naquela terra prometida em que reconstruiríamos as nossas histórias e reinventaríamos a vida longe das ruas de seringa e dos enlatados imperialistas.
(A mais determinante seqüência, desde a partida naquele batelão de linha, lá no Xapuri, que trago na memória é esta: a saída daquele furor líquido da baía do Marajó, a reconfortante estaladeira de mato, a calmaria do Arrozal e... As torres do Ver-O-Peso).
Se alguém um dia me pedir para definir Belém, não vou ter dúvidas. Belém é a minha bonança. A minha paz.
Tudo conspira, né. Todas as circunstâncias contribuíram para que eu admitisse que Belém seria a minha redenção, o meu fim, o meu desprendimento, o meu suspiro de alívio (depois daquele frenesi, na baía do Marajó, então, Belém foi uma graça alcançada).
Desembarcamos no galpão Mosqueiro-Soure dizendo “é aqui” nesta beira de rio.
E foi mesmo. Meus momentos mais marcantes da infância, da adolescência, da juventude e agora, já fazendo a rima com o ‘enta’, foram sempre à margem desta baía.
Um beijo, um porre, um pensamento mau, um dinheirinho suado, uma desilusão, um assombro, um arrependimento, uma despedida, um reencontro, uma poesia, um palavrão, uma maldição, meu bem, meu mal, minha indiferença, o pôr-do-sol, o luar, a cachaça de Abaeté, uma nota no violão, a chuva fina, o amanhecer, os olhos farinhados de sono, as pimentas coloridas e o verde das folhas orvalhadas pela madrugada, o mistério das ervas, o imprevisível humor das ondas que às vezes vão buscar a gente lá longe, a brisa amiga e refrescante no final da tarde, a minha saudade e o sal das minhas lágrimas que rolam agora sem embaraço nenhum...
Certa vez, depois de algumas adaptações, e um casamento perfeito, debandei. Passei dez anos vagando por aí. Trairei Belém. Me apaixonei por Porto velho, tive um caso quase que irreparável com Altamira, me iludi com os apelos calientes de Manaus, destrambelhei completamente por Macapá. Mas um dia... Um dia voltei aos aconchegantes braços da minha cidade.
E daqui, não saio mais.
Na beira deste rio quero descansar. Um dia (não agora, ainda não) atendendo a um convite irrecusável da natureza, o que restar de mim, “é aqui” que gostaria que repousasse para sempre. Quero me misturar às águas deste rio e virar maresia, maré cheia, Acará, Guamá, Guajará...

domingo, 1 de novembro de 2009

Empreiteira-motossera

Segue texto retirado do blog Uruatapera:
quinta-feira, 29 de outubro de 2009



Tudo nesta terra é fácil para quem tem dinheiro e poder. Como exemplo dou uma denúncia que fiz a SEMMA, veja só:
Ha 2 meses, ao passar pela rua Angustura ente 25 de Setembro e Duque de Caxias vi um pessoal portando motoserras derrubando 7 árvores que estavam plantadas na calçada onde será construído um prédio pela Firma Marko Engenharia. Fiz a denúncia à SEMMA e o Secretário disse que ia a fundo contra esta empresa por causa deste crime ambiental. Já se passaram os 2 meses e solicitei que o Secretario mandasse que a referida firma plantasse em dobro no mesmo lugar (calçada) as árvores adultas derrubadas. Tenho cobrado com insistência a SEMMA por isto e o máximo que consegui saber foi que esta firma daria mudas para a SEMMA para justificar este crime ambiental. O certo não seria obrigar a firma a repor as árvores derrubadas? Nada disso aconteceu visto que a Marko tem dinheiro e para ela a lei é potoca. E a SEMMA só se importa com os pequenos, os fortes e poderosos fazem tudo. Afinal, estas firmas dão dinheiro para a campanha desta gente.


Pedro Carvalho"


(comentário recebido de leitor do blog(Uruatapera), no Post Alô, Ministério Público!)

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

VAMOS CRIAR UM BOATO???

Já sei vamos inventar um boato e espalhar na cidade???
O que vocês acham? Escolhemos pessoas que possuem uma necesssidade enorme de falar -Fofoqueiros (as)- falamos o boato esperamos o resultado disso. Mas lembrem-se que não podemos falar nos boatos pela internet senão vamos ser desmascarados facilmente.
kkkkkkkkkk.