Por Cássio Andrade
Quando criança, procurava aprender o que era amar, vendo os bonequinhos do “amar é…” com suas frases de efeito sobre o amor recheado por uma filosofia simples quase de auto-ajuda. Pareciam receitas na confeitaria do afeto.
Também fui ensinado a amar meus pais. Em minha infância, ainda se chegou a seguir a velha fórmula: papai no bolso, mamãe no coração. Quanta distância entre o bolso e o coração! À mãe, a ternura, o carinho, o afeto; ao pai, o trabalho, a autoridade, nenhum doce predileto. Minha geração precisou mudar esse receituário.
Ainda bem que aprendemos a amar nossos pais, como se não houvesse amanhã, da forma como alguém, já do outro lado, nos ajudou a amar as pessoas. Que país poderíamos nos tornar se continuássemos a amar do velho jeito?
Nesse dia dos pais, peço licença para, em nome do amor radical e sem fronteiras, render homenagem a meu filho. Na verdade, agradecê-lo por me fazer pai; por obrigar a revelar o rosto materno da paternidade.
Confesso que tentei projetar um caminho diferente a meu filho: jogar bola, levar ao campo, falar das minas, impor-lhe um clube para o qual torcer, essas coisas que usalmente fazem os pais aos filhos varões. A vida me fez abortar esse filho projetado e mudar o enredo dessa história. Ainda bem, pois aprendi a sair da óbvia condição de pai.
Pequenino, com meu filho fiz coisas que o monopólio das mães e avós não permitem ao pai. Troquei fraldas, limpei cocô, dei chuca e embalei na cadeira para fazer dormir. Até coloquei fio na testa para acabar com o soluço. Rompi os tabus da maternidade, às vezes sobre o desaprovo tácito da mãe. Ah, como é bom ser pai e mãe!
Obrigado, meu filho, por continuar a te amar sem condições. A continuar a vê-lo dormir com o rosto eterno da inocência. Diante das incertezas da juventude atual, tenho a feliz certeza de que sempre serás inocente, diante de um mundo mal, descrente e decadente; imundo mundo pós-moderno.
Amar é se tornar irmão, em sendo pai… Feliz dia com os filhos, nesse dia de pai!
Mostrando postagens com marcador dia dos pais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dia dos pais. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
O mistério das "Tapauéres"
Ontem, domingo dia dos pais, a gente andando pelas ruas da periferia, podíamos ver a movimentação das familias reunidas. O som ligado, os copos cheios, o churrasco correndo, a farofa, a salada crua, de maionese, arroz com galinha, as lasanhas, vatapas, maniçobas, feijoadas e pra fechar, o doce sabor dos cremes de cupuaçu, abacaxi, bacuri, pavês diversos, açai com tapioca.
Lá pelas 4 da tarde, todo mundo de bucho cheio ( que nessas alturas ninguém está "satisfeito"), triste, é hora dos filhos, genros e noras voltarem para suas respectivas casas. Na despedida, o indefectivel hábito de arrumar as vasilinhas com um pouquinho de cada comida devorada durante a reunião. Junta feijoada com uns pedaços de frango assado, bolo de chocolate com uma macarronada e assim vai, conforme o saldo das panelas.
Não se sabe de onde aparecem as "tapauéres". São tantas entre outras improvisadas com embalagens diversas, como as de sorvete Kibom, potinho de margarina e outras mais. Chegando em casa lava e guarda. Dai nova reunião e o ciclo reinicia. A vasilinha que eu já peguei da mamãe com tapioquinha, levei prá casa, e numa próxima situação, lá vai ela com mingau prá casa de outro ente querido e assim sucessivamente...
O enigma que fica é: Por quais caminhos andam, nessas alturas, esses tapperwares todos ?
Lá pelas 4 da tarde, todo mundo de bucho cheio ( que nessas alturas ninguém está "satisfeito"), triste, é hora dos filhos, genros e noras voltarem para suas respectivas casas. Na despedida, o indefectivel hábito de arrumar as vasilinhas com um pouquinho de cada comida devorada durante a reunião. Junta feijoada com uns pedaços de frango assado, bolo de chocolate com uma macarronada e assim vai, conforme o saldo das panelas.
Não se sabe de onde aparecem as "tapauéres". São tantas entre outras improvisadas com embalagens diversas, como as de sorvete Kibom, potinho de margarina e outras mais. Chegando em casa lava e guarda. Dai nova reunião e o ciclo reinicia. A vasilinha que eu já peguei da mamãe com tapioquinha, levei prá casa, e numa próxima situação, lá vai ela com mingau prá casa de outro ente querido e assim sucessivamente...
O enigma que fica é: Por quais caminhos andam, nessas alturas, esses tapperwares todos ?
Assinar:
Postagens (Atom)

