A mamãe realmente era muito espevitada com as aprontações dos moleques mais velhos. Lembro que o Zé (sempre ele!) apareceu com umas cartas de baralho. Logicamente, eu, parceiro de brincadeiras e doidices semelhantes, fui convidado para aprender a jogar o PIF-PAF.... Primeiras lições e lá estávamos nós, religiosamente após o almoço jogando baralho. Os dias iam passando e nós já bem familiarizados com o jogo. Uma tarde, o Zé resolve jogar comigo valendo umas moedinhas (não sei de onde apareciam essas moedas que o Zé trazia). Sem percebermos, a mamãe entra no quarto e, súbito como um raio, cai em cima da gente. Arrancou as cartas do chão e jogou tudo dentro da vala - e que pontaria, heim? Meus irmãos, ainda tenho muito viva a imagem da mamãe dando o maior ralho nos dois pirralhos! Aquilo era jogo do "cão", que a gente era um bando de moleque, etc, etc... Pior! Tinha dinheiro no meio daquela desgraça de jogo!!! Nunca mais vimos baralhos naquela casa....
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sexta-feira, 30 de outubro de 2009
terça-feira, 7 de julho de 2009
A FABULOSA CORUJA GIGANTE DO AUGUSTO
Em uma noite negra como o breu do inferno, sem uma estrela sequer para iluminar o caminho dos desgraçados, libélulas voavam sedentas sobre a vala atrás dos encouraçados tamuatás, borbulhas de gases letais emergiam das profundezas do lodo pútrido, mas além disso alguma coisa pairava no ar além dos morcegos hematófagos e do ar tenebroso que nos rodeava, eu percebia isso pelo comportamento dos ratos nas margens do pântano.
De repente, meninos, eu vi... descendo do manto escuro do céu, um ser monstruoso, mas silencioso, parecia uma matinta pereira, pude então ver malmente o vulto descer a uma velocidade estonteante quando um raio atravessou os céus.
Quando aquele leviatã atingiu a altura mais baixa da superfície da terra, fazendo um voo rasante sobre as águas turvas e ferozes da vala, vi o bater de suas imensuraveis asas, causando um refluxo no ar que me arrebatou para o chão, tudo era jogado ao ar, poeira, folhas, libélulas, respingos d'água, ratos mortos.
Caído no chão vi aquele ser das trevas da noite voar sobre a vala, só o que meus pobres olhos puderam ver (como que em câmera lenta) foi a envergadura gigantesca que ultrapassava os limites das duas margens do canal, seu ventre passava a milésimos de milímetros da lâmina d'água, em suas imensas patas cheias de unhas afiadas tais quais cimitarras, levavam pra mais de mil ratos mortos em uma só pegada.
Atordoado com a força descomunal das lufadas geradas pelas asas da besta alada, caído e quase desfalecido a vi sumir nas brenhas escuras da noite preta da rua escura.
E um aviso para quem duvida:
QUEM DUVIDA PERDE A VIDA E COME CASCÃO DE FERIDA!
Este caso foi relatado pelo Augusto e se Deus quiser vai fazer parte da próxima edição do livro "Visagens e assombrações de Belém" de Walcyr Monteiro
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