Crônica da semana - Raimundo Sodré - rsodrexapuri@yahoo.com.br
Antigamente, havia uma plaquinha nos ônibus alertando “fale com o motorista somente o indispensável”. Passei anos da minha vida admitindo que aquela mensagem queria dizer que só quem podia falar com o motorista era o pai ou a mãe da gente (confundia ‘indispensável’ com ‘responsável’). Por isso jamais puxei um isso de prosa com os ‘choferes’ de ônibus. Até que... meus meninos nasceram e me credenciaram. Agora arrisco um bom dia/boa tarde e um filho disso ou filho daquilo (quando eles queimam a parada, metem o pé no freio pra arrumar a carga ou quando arrancam enquanto a gente ainda está descendo).
Outra armadilha discursiva que me ficou no cocuruto um montão de tempo foi o atalho fonético que minha mãe arrumou para pronunciar, de modo coerente (para honrar o marketing linguístico) e elegante (como reivindicava o produto) o nome de um perfume, à época, recém-lançado no mercado.
(Tenho que abrir este parêntese para falar sobre a atividade econômica de minha mãe que nos garantiu o de comer durante um bocado de tempo, mesmo que em detrimento de um ou outro pedido não entregue por falta de numerário para resgatar a ‘caixa’.
Minha mãe vendia de um tudo. Não havia lastro para a fidelidade comercial. Todo santo dia, juntava uns quantos ‘catálagos’ da Avon, Christian Gray, Collins, Hermes, uns mostruários do mais requintado Michelin; batonzinho para demonstração, que ela vendia a preços simbólicos e o irrevogável buquê de flores de plástico que ela mesma talhava, dobrava e cerzia com zelo e precisão e que fazia o maior sucesso. Colocava uma sandalinha baixa e ganhava o mundo da Pedreira, que se exibia, naqueles dias, em baixadas alagadas e modestos cerqueiros de terra firme, visitando e anotando os pedidos dos solidários fregueses. Mais solidários do que fregueses.
Quando Deus ajudava e liberava a ‘caixa’, mamãe espalhava os cosméticos no chão, subscrevia os destinatários nos saquinhos e a gente ia separando os produtos (desde ali cultivo uma indissolúvel bronca do mais refinado perfume ao popular creme Sheen, em função daquelas radicalmente odoríficas sessões de distribuição per capita. Por causa daqueles dias, até o mais singelo respingo de Leite de Rosas ou do doméstico patchouli, me deixa como herança uma hedionda e insuportável dor de cabeça).
Dessa vez, havia um lançamento na parada. No catálogo, a ilustração do perfume o definia com o nome de Unforgetable. Minha mãe observou, avaliou e concluiu que um perfume que chegava com uma fama danada, não poderia ter um nome com tão pouco glamour. Algo de atraente deveria ser providenciado para certificá-lo como chique e emblemático. Uma maquiagem que passava, necessariamente, pela pronúncia. Mamãe então, buscou na ilusão fonética, um argumento para superativar aquele produto. Coisa de marketing, sabe. A partir daquele dia, ela dotou aquele nome de um som mais, digamos assim, globalizado. Batizou-o de ‘unforgetêibol’ (e ainda justificou, resgatando um inglês perdido lá na Escola Normal: ora, table não é mesa em inglês, palavra que a gente pronuncia têibol? Então: unforgetêibol). Foi o lance mais eficaz de aproximação com o anglicismo, por mim percebido, nos estertores da insubmissa década de 1980.
E assim foi durante eras e eras. Até que um dia, o Fantástico exibiu um clipe com a Natalie Cole. Vi na legenda o título da música que ela cantava: ‘Unforgetable’. Reparei bem na pronúncia da moça. Ela falava algo como ‘anfoguerebol’ (que me perdoem pela heresia fonética). Pensei comigo: mas não é o mesmo unforgetêibol da mamãe? E era.
Hoje, exulto remissivamente: mas a mamãe, hein!
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domingo, 8 de novembro de 2009
segunda-feira, 17 de agosto de 2009
Crônica da semana-Raimundo Sodré
Impressionante
Tantos anos, convites, vontades e nada de calhar d’eu ir passar uns dias em Algodoal.
Este ano, desamarrei o quebranto. Venci a ideia pré-concebida de que era um lugar longe; rolei por cima da preguicinha que me leva somente até ali no Caripi; desfiz o pavor que reinava dentro de mim só de pensar na travessia; juntei a família e aprumei no rumo de Maiandeua.
Algodoal é, incontestavelmente, o que dizem. Tudo o que eu ouvira falar sobre a ilha é verdade.
Prudentemente, logo na primeira investida sobre as areias da praia decidi delegar as aventuras radicais e todos e quaisquer prazeres mais custosos para os meninos. Não por nada, mas a lógica me impunha a consciência de que, assim, aproveitariam do caráter lúdico da aventura, e com o vigor da adolescência, seria muito mais fácil para eles, escalar o sotavento das dunas ou atravessar a ponta da praia por sobre as pedras ou mesmo explorar o caminho que leva ao lago de água doce. Eu me conformaria em contemplar, tirar as fotos e ficar de molho (depois da hercúlea missão de cruzar o percurso de areia fofa) nas águas achocolatadas do lago da Princesa. Sem nenhuma frustração. Os filhos não são um pedaço da gente? Pois é, se eles estão felizes, estou também. Se exultaram com tantas emoções na caminhada até o lago da Princesa, também transbordei de alegria (com a vantagem de não ter sofrido um piripaque ou ter chegado na baba, soltando os bofes, um risco admissível, se eu me entusiasmasse e me abalasse às extravagâncias sob o pródigo sol do meio-dia. Eu, heim, a aventura para mim é vigiada de perto pela sensatez, por isso, claro, peguei um atalho e enquanto os meninos fururucavam subindo e descendo as dunas, eu, ó, só na manha: cheguei inteiraço).
Algodoal é palco de grandes inspirações, insights, explorações nas profundezas do ser. No caminho para o lago, paramos para apreciar uma espécie de celebração. Algumas pessoas já se juntavam em torno de um rapaz:
- Sabe o que mais me impressiona aqui em Algodoal? – dizia ele com olhar contemplativo. Uma ansiedade tomou conta da gente. Um belo poema deveria brotar daquele êxtase. Uma canção. Uma profecia... Ele abraçava-se aos pés de ajiru, rolava a barlavento, nas dunas, erguia os braços, messiânico, para o infinito. O rosto concentrado, uma fervorosa fé abrigada naquele semblante.
- Sabe o que mais me impressiona aqui em Algodoal? É que aqui, é tudo muito...muito... – As pessoas entreolhavam-se curiosas. Poderia ser ele um biólogo? Será que um daqueles arbustos que margeiam o caminho do lago não tem o princípio ativo para a cura do câncer? Esperanças revelavam-se nos olhares...
- É que aqui é tudo muito, muito... Impressionante! – Disparou “impressionante” com tanta energia que perdigotos múltiplos saltaram dos seus lábios umedecidos e nos atingiram ao longe. E nada mais foi dito. Impressionado, procurei sombra e segui meu caminho para o lago, só apreciando.
Algodoal não se eleva somente pelas belezas naturais. A riqueza de seu povo é também de inestimável valor.
(Não conhecia o Chico Braga. Mas os mitos não se subjugam, não se dobram às formalidades. São, simplesmente. E foi assim que reconheci naquele homem sentado na calçada de um bar, improvisando refrões, a magia de Chico Braga. Uma pessoa especial. Fiquei um tempo a observá-lo. Encantado... Me senti tão pequeno, naquela hora...).
Na véspera de vir embora, a noite nos brindou com um feixe de meteoros cruzando o céu, a lua crescente prateou o horizonte e uma voz ao longe aninhou-se confortavelmente aos acordes de Wish you were here.
Na praia, cada um curtindo o seu barato. Impressionante.
Tantos anos, convites, vontades e nada de calhar d’eu ir passar uns dias em Algodoal.
Este ano, desamarrei o quebranto. Venci a ideia pré-concebida de que era um lugar longe; rolei por cima da preguicinha que me leva somente até ali no Caripi; desfiz o pavor que reinava dentro de mim só de pensar na travessia; juntei a família e aprumei no rumo de Maiandeua.
Algodoal é, incontestavelmente, o que dizem. Tudo o que eu ouvira falar sobre a ilha é verdade.
Prudentemente, logo na primeira investida sobre as areias da praia decidi delegar as aventuras radicais e todos e quaisquer prazeres mais custosos para os meninos. Não por nada, mas a lógica me impunha a consciência de que, assim, aproveitariam do caráter lúdico da aventura, e com o vigor da adolescência, seria muito mais fácil para eles, escalar o sotavento das dunas ou atravessar a ponta da praia por sobre as pedras ou mesmo explorar o caminho que leva ao lago de água doce. Eu me conformaria em contemplar, tirar as fotos e ficar de molho (depois da hercúlea missão de cruzar o percurso de areia fofa) nas águas achocolatadas do lago da Princesa. Sem nenhuma frustração. Os filhos não são um pedaço da gente? Pois é, se eles estão felizes, estou também. Se exultaram com tantas emoções na caminhada até o lago da Princesa, também transbordei de alegria (com a vantagem de não ter sofrido um piripaque ou ter chegado na baba, soltando os bofes, um risco admissível, se eu me entusiasmasse e me abalasse às extravagâncias sob o pródigo sol do meio-dia. Eu, heim, a aventura para mim é vigiada de perto pela sensatez, por isso, claro, peguei um atalho e enquanto os meninos fururucavam subindo e descendo as dunas, eu, ó, só na manha: cheguei inteiraço).
Algodoal é palco de grandes inspirações, insights, explorações nas profundezas do ser. No caminho para o lago, paramos para apreciar uma espécie de celebração. Algumas pessoas já se juntavam em torno de um rapaz:
- Sabe o que mais me impressiona aqui em Algodoal? – dizia ele com olhar contemplativo. Uma ansiedade tomou conta da gente. Um belo poema deveria brotar daquele êxtase. Uma canção. Uma profecia... Ele abraçava-se aos pés de ajiru, rolava a barlavento, nas dunas, erguia os braços, messiânico, para o infinito. O rosto concentrado, uma fervorosa fé abrigada naquele semblante.
- Sabe o que mais me impressiona aqui em Algodoal? É que aqui, é tudo muito...muito... – As pessoas entreolhavam-se curiosas. Poderia ser ele um biólogo? Será que um daqueles arbustos que margeiam o caminho do lago não tem o princípio ativo para a cura do câncer? Esperanças revelavam-se nos olhares...
- É que aqui é tudo muito, muito... Impressionante! – Disparou “impressionante” com tanta energia que perdigotos múltiplos saltaram dos seus lábios umedecidos e nos atingiram ao longe. E nada mais foi dito. Impressionado, procurei sombra e segui meu caminho para o lago, só apreciando.
Algodoal não se eleva somente pelas belezas naturais. A riqueza de seu povo é também de inestimável valor.
(Não conhecia o Chico Braga. Mas os mitos não se subjugam, não se dobram às formalidades. São, simplesmente. E foi assim que reconheci naquele homem sentado na calçada de um bar, improvisando refrões, a magia de Chico Braga. Uma pessoa especial. Fiquei um tempo a observá-lo. Encantado... Me senti tão pequeno, naquela hora...).
Na véspera de vir embora, a noite nos brindou com um feixe de meteoros cruzando o céu, a lua crescente prateou o horizonte e uma voz ao longe aninhou-se confortavelmente aos acordes de Wish you were here.
Na praia, cada um curtindo o seu barato. Impressionante.
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domingo, 5 de julho de 2009
Crônica da semana-Raimundo Sodré
Aluá, mungunzá e a bença de São Marçá
Por onde andará o aluá? Tenho me batido por estes terreiros, atrás de um bom vinho e não tenho encontrado. O aluá, que aqui entre nós é uma bebida feita com a casca do abacaxi, já fez e aconteceu na quadra junina. Tinha presença certa no arraiá, junto com o mingau de milho, com o bolo de macaxeira e a canjica.
Era respeitado. Em alguns casos, na falta da geladeira (noutros tempos não era qualquer pessoa que tinha a sua Gelomatic), havia o cuidado de acondicionar o suco em potes de barro ou bilhas, para conservá-lo geladinho. Ficava que era uma maravilha.
Hoje em dia, anda meio démodé, o aluá. Nem citado é nos roteiros culinários da ocasião.
Um exemplo disso é que num programa de TV, dei com uma especialista recomendando as comidas típicas de junho e integrando, surpreendentemente, ao nosso cardápio, o despropositado quentão. Ora quentão!
Eu sempre ouvi falar de quentão. Mas aqui em Belém, já com alguns anarriês no costado, já tendo saltado alguns formigueiros e me escabriado umas quantas vezes da chuva de mentira e da chuva de verdade, não lembro de ter tomado um tiquinho sequer desta bebida. Por isso, duvido que a tal recomendação tenha sido de vera (acho que essas referências controversas são ainda, heranças daqueles livros de Integração Social, que desconsideravam os considerandos regionais: integravam por demais). Se fosse o aluá, ainda vá, mas quentão! Aqui em Belém, quentão, só se for gelado, advertiu o meu compadre Edir Gaya, quando veio tomar um mungunzá aqui em casa, no aniversário da afilhada Amaranta Maria.
O quentão, o nome já tá dizendo: é uma bebida quente. E não é quentinha não. É uma cachaça aquecida a altas temperaturas e apurada com alguns temperos como o gengibre por exemplo. Tomei quentão, uma vez, num arraial tradicional em Rondônia, e me fiz de macho, porque o bicho é forte. Na primeira golada as lágrimas desceram dos’óio. Mas tive motivo para a audácia: por esta época do ano, a temperatura em Porto Velho beira os 15 graus. Então, com toda derrota, aquele caldo apimentado caía até bem para dar um calor à alma. Aqui em Belém se o camarada for tomar quentão, depois de marcar uma parte de forró com a cabrocha, ele estopora. Solta fumaça pelos ouvidos e fica só o endereço. Só a casqueta.
E por falar em casqueta, a gente já está na batida da campa das festas joaninas. O final de semana ainda nos traz boas e elegantes exibições de quadrilhas, pássaros, bois (amanhã a terra vai tremer com a despedida do Pavulagem), mas os folguedos já se despedem. A cultura brasileira, no geral, e a paraense, em particular, ascendem aos píncaros com as manifestações folclóricas que se realizam em junho. As tradicionais homenagens aos santos, as simpatias, as danças, as relações de compadrio firmadas à luz da fogueira, consagram e certificam a ‘cultura popular’ verdadeiramente como cultura e inegavelmente como popular (tenho só alguns poréns quanto a incorporação de certos ritmos e aos movimentos contínuos e excitados que os cavalheiros fazem nos passos da ‘quadrilha moderna’, mas nada que fira o zelo e a simetria das prodigiosas coreografias. Não é por nada, não, é porque eu sou da antiga mesmo, do tempo do balancê nos seus devidos lugares).
Agora, tirando da grande roda a incompatibilidade entre as propriedades do quentão e as do antigo aluá, passamos um aperreio danado no último dia 30, para acender uma fogueira. É que tá difícil achar paneiro hoje em dia, na cidade, e queimar saquinho plástico não tem combina, além do que, São Marçá é bem capaz de ralhá.
Por onde andará o aluá? Tenho me batido por estes terreiros, atrás de um bom vinho e não tenho encontrado. O aluá, que aqui entre nós é uma bebida feita com a casca do abacaxi, já fez e aconteceu na quadra junina. Tinha presença certa no arraiá, junto com o mingau de milho, com o bolo de macaxeira e a canjica.
Era respeitado. Em alguns casos, na falta da geladeira (noutros tempos não era qualquer pessoa que tinha a sua Gelomatic), havia o cuidado de acondicionar o suco em potes de barro ou bilhas, para conservá-lo geladinho. Ficava que era uma maravilha.
Hoje em dia, anda meio démodé, o aluá. Nem citado é nos roteiros culinários da ocasião.
Um exemplo disso é que num programa de TV, dei com uma especialista recomendando as comidas típicas de junho e integrando, surpreendentemente, ao nosso cardápio, o despropositado quentão. Ora quentão!
Eu sempre ouvi falar de quentão. Mas aqui em Belém, já com alguns anarriês no costado, já tendo saltado alguns formigueiros e me escabriado umas quantas vezes da chuva de mentira e da chuva de verdade, não lembro de ter tomado um tiquinho sequer desta bebida. Por isso, duvido que a tal recomendação tenha sido de vera (acho que essas referências controversas são ainda, heranças daqueles livros de Integração Social, que desconsideravam os considerandos regionais: integravam por demais). Se fosse o aluá, ainda vá, mas quentão! Aqui em Belém, quentão, só se for gelado, advertiu o meu compadre Edir Gaya, quando veio tomar um mungunzá aqui em casa, no aniversário da afilhada Amaranta Maria.
O quentão, o nome já tá dizendo: é uma bebida quente. E não é quentinha não. É uma cachaça aquecida a altas temperaturas e apurada com alguns temperos como o gengibre por exemplo. Tomei quentão, uma vez, num arraial tradicional em Rondônia, e me fiz de macho, porque o bicho é forte. Na primeira golada as lágrimas desceram dos’óio. Mas tive motivo para a audácia: por esta época do ano, a temperatura em Porto Velho beira os 15 graus. Então, com toda derrota, aquele caldo apimentado caía até bem para dar um calor à alma. Aqui em Belém se o camarada for tomar quentão, depois de marcar uma parte de forró com a cabrocha, ele estopora. Solta fumaça pelos ouvidos e fica só o endereço. Só a casqueta.
E por falar em casqueta, a gente já está na batida da campa das festas joaninas. O final de semana ainda nos traz boas e elegantes exibições de quadrilhas, pássaros, bois (amanhã a terra vai tremer com a despedida do Pavulagem), mas os folguedos já se despedem. A cultura brasileira, no geral, e a paraense, em particular, ascendem aos píncaros com as manifestações folclóricas que se realizam em junho. As tradicionais homenagens aos santos, as simpatias, as danças, as relações de compadrio firmadas à luz da fogueira, consagram e certificam a ‘cultura popular’ verdadeiramente como cultura e inegavelmente como popular (tenho só alguns poréns quanto a incorporação de certos ritmos e aos movimentos contínuos e excitados que os cavalheiros fazem nos passos da ‘quadrilha moderna’, mas nada que fira o zelo e a simetria das prodigiosas coreografias. Não é por nada, não, é porque eu sou da antiga mesmo, do tempo do balancê nos seus devidos lugares).
Agora, tirando da grande roda a incompatibilidade entre as propriedades do quentão e as do antigo aluá, passamos um aperreio danado no último dia 30, para acender uma fogueira. É que tá difícil achar paneiro hoje em dia, na cidade, e queimar saquinho plástico não tem combina, além do que, São Marçá é bem capaz de ralhá.
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