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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pra riba

Crônica da semana - Raimundo Sodré

Estive fazendo umas continhas aí. Classificando, restringindo, alargando, desconfiando, confirmando, descobrindo. Certifiquei-me, inconformado, que não conheço ninguém que mora em edifício. Verdade! Não contabilizo um único amigo que more nas alturas. Digo prédio mesmo, daqueles que dá pra ver a baía lá de cima (Natália Lins ou blocos geminados que permitem acesso somente por escadas, não vale. O que vale é elevador, mesmo que seja daqueles com portas pantográficas). O meu séquito limita-se aos que se viram ao rés-do-chão. É todo mundo habitante do térreo (alguns, é verdade, ‘terráqueos’ de esquinas chiquerérrimas tipo Doca...Quer dizer, não exatamente Doca, e nem, absolutamente, esquinas, mas perto. Aquele perto que já dá pra se incomodar com o som dos carros tunados, com o chiliquito de playboys amantes do tecnobrega baiano e com o mix de aroma floral de detergente nos fins de tarde).
E antes que eu desembeste no texto, vou explicar que diabos vem a ser ‘porta pantográfica’. Bom. É um tipo de porta de elevador que a gente encontra nos prédios mais antigos da cidade e que tem o formato de pantógrafo.
?? Aloô!
Se não ajudou, a explicação, é só lembrar a última vez que a gente se dignou a responder a uma ‘notificação extrajudicial’ e teve que se dirigir a um escritório de advocacia para limpar o nome por causa daquela continha que a gente ‘esqueceu’ de pagar, no natal passado (e que virou um contão impagável). No geral, estes escritórios instalam-se em salas precedidas pela