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domingo, 17 de maio de 2009

A casa da Vovó.

Vovó é uma mulher forte. Lembro quando o vovô teve aquele AVC que ficou anos de cama, até falecer. Me dava a maior angústia vê-lo daquele jeito. Me impressionava a força e dedicação da vovó cuidando-o, alimentando-o, banhando-o, etc.
Lembro das duas casas da vovó. Primeiro aquela de barro e teto de palha, lá na rua Liberato de Castro. Esta ficava na pista. Era uma casa arrumadinha, com moveis de palinha. Armários de madeira polida, com as suas prateleiras enfeitadas com um papel, (desses de embrulho, coloridos, que as mulheres faziam uma série de dobras e então faziam alguns cortes estratégicos, delicados e apos desdobrar, o papel ficava com um aspecto de renda, com uns buraquinhos quadrados, triangulares, etc. dependia da forma como se dobrava e dos cortes que se dava) milhares de bibelôs de louça, vasinhos feitos de lata encapada com papel de embrulho. A casa cheirava a carvão, cheiro verde, jasmim, madeiras, alvaiade(era um produto que o vovô usava, ele era carpinteiro). Essa casa tinha, como eu já disse, paredes de barro, que era moldado em uma armação de paus( dessa casa era uma madeira fibrosa que soltava umas lascas compridas, boas prá estrepar o dedo). Como bom moleque, eu esperava quando ninguém estava olhando e cutucava com o dedinho o barro seco e ele esfarelava, caindo no chão. Eu gostava também de arrancar umas lascas da madeira prá queimar no fogão de carvão. Eu gostava de sentir o cheiro da madeira queimando.