Cássio de Andrade
Que saudade da lama gulosa da Doca, das vacarias da Jabatiteua, das porradas na Praça do Operário, das enchentes dos covões de São Brás, das filas do Cine Independência, dos barcos de cascos de geladeiras do Tucunduba, dos ratos nadadores da Dr. Moraes, das festinhas da turma da Bailique, da gordura do Cuca, da cafonice do TV Cidade, das roupas de griffe do Everaldo Lobato, das piadas sem graça do Kzan Lourenço, dos berros do Buraco, do desbotado canguru da Radiolux, do verde-limo do Dino das Superlojas, das tiradas do Bolso do Repórter, dos embalos de sábado a tarde do Zuca Brilhantina, dos shorts de duas bandas vendidos no Regatão, das calças de lycra da Makel, dos bombons afanados na Lobrás, dos gritos do Gelmirez no dia da Raça, do Alecrim chamando a secretária para dar um quilo de bombom aos candidatos a astro no Clube do Garoto, da mendiga da lata que tinha um caroço no pescoço, da Maria Garapé, das chamadas do Patrulha da Cidade, do pão massa grossa e do pão massa fina, do supermercado Metralhadora, do Armarinho Holanda que vendia sacos de chop, do saco de chop, do Armando Português que dividia o lucro com o freguês, do Pinduca cantando o pinto o quando nasce, das cafonices do Pierre, do Omar Cardoso, do Regulador Xavier, da Limonada Bezerra, quanta saudade, Belém!
