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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

FÁTIMA FAZ HOMENAGEM À NOSSA MÃE

27/12/2010

Maria de Nazaré

Vinde canoeiros, pescadores e agricultores.

Vinde depressa o olhar a menina de olhos verdes e cabelos negros que acabou de nascer.

Tragam as cabras, burricos, papagaios, borboletas, pequeninas tartarugas e renovem o presépio.

Ofertem suas futuras frutas prediletas. Iluminem a noite e os rios com seus candeeiros e cantem a canção amazônica.

Perfumem a menina com as pétalas de flor de maracujazeiro, misturadas ao vermelho das flores do jambeiro.

Seu nome: Maria de Nazaré.

Seu futuro: Humildade, amor à humanidade. Fé e resistência inacreditáveis. Ombros acolhedores para encorajar os irmãos.

Não foi à toa que a Maria da Amazônia nasceu dois dias após a data em que se comemora o nascimento de Jesus, fogo vivo que aquece a fé de Maria.

Ser assim, mãe, é colocar de cabeça para baixo tudo o que a maioria das pessoas pensam sobre uma vida superficial. Que bom!

Obrigada, Mãe!

Fátima Dias

27/12/2010

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A GRANDE FAMÍLIA


Dona Maria, Nazareno, Zé Maria, Jorge, Fátima, Cássio, Nen (barriguda do André), Dilma, e essa perna fina é minha (Gabriel)

GRANDE PAI, GRANDE MÃE, GRANDE FAMÍLIA


terça-feira, 16 de junho de 2009

A PONTA DO LÁPIS



Não sei quantos anos eu tinha, mas sei que era a primeira vez que estava indo à escola, o Centro Comunitário na esquina da Caripunas com Doutor Moraes.

A mamãe arrumou todo o meu material em uma sacola plástica, mas na hora de sair lembramos que faltou apontar o lápis.

O Artur pegou o lápis e começou a fazer aquela ponta gigantesca que até hoje não aprendi a fazer, mas era uma "senhora" de uma ponta e colocou na sacola juntamente com os outros materiais.

Quando saímos já estávamos meio atrasados, o tempo estava nublado e prestes a chover e ventava muito, ao chegar na Timbiras uma ventania fez com que a sacola fosse contra a perna da mamãe e a ponta do lápis foi certa no joelho dela quebrando dentro da pele, ela ficou bastante aborrecida mas mesmo assim me deixou na escola.

Durante anos a mamãe permaneceu com aquela ponta no joelho sem querer retirar, atualmente acho que se dissolveu ou saiu espontaneamente.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Mamãe

Perdoem a falta de originalidade no título, mas como é a minha primeira postagem, ele é inevitável.
Então é março. 1978, precisamente. Chuva torrencial, a madrugada inteira. E o dilúvio transforma o que era rua em mar, a se estender por uma área enorme, dando assim, a impressão de um campo líquido, extenso e plano. E ela sente as dores. É urgente sair mas, nesse tempo? Fará isso pela décima vez em sua vida, mas o medo de ir e não voltar é real. o vento frio, coado pelas tábuas, pelos vãos das telhas, mantém o espírito alerta. A chuva cede, mas já está tudo tomado pela água, inclusive em alguns pontos do assoalho de madeira, onde é mais baixo, a lâmina d'água se insinua. Não há onde pisar, lá fora. A dor não permite esperar mais. Ela deve sair já.
Durmo o sono despreocupado dos oito anos, mas desperto ao sentir seu beijo na bochecha, na semi-obscuridade da manhã de céu pesado. Naquele beijo, senti apenas a mais profunda ternura, que, só nas horas quietas ela nos reservava, por ter a dura tarefa de nos administrar de dia e de noite. Hoje, sei que escondia a tensão e o medo de estar fazendo aquilo pela última vez. Nascido um Flávio bochechudo, tudo fica mais alegre e tranqüilo, as horas de medo e angústia esquecidas.
E os pequenos, ao seu redor, nem podem imaginar a incerteza das horas anteriores, nem ela permitiria que tão obscuros pensamentos invadissem aquelas cabecinhas puras, assim, tão cedo. Essa mamãe...