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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

A GRANDE FAMÍLIA


Dona Maria, Nazareno, Zé Maria, Jorge, Fátima, Cássio, Nen (barriguda do André), Dilma, e essa perna fina é minha (Gabriel)

GRANDE PAI, GRANDE MÃE, GRANDE FAMÍLIA


terça-feira, 12 de maio de 2009

Artur disse...

Artur Dias disse...
E Neste doze de maio, o Zé fica mais velho. E isto serve para nos lembrar que, se tem artista nessa família, a culpa é dele. Sempre com alguma novidade pra lá de estranha, ou simplesmente bacana. Fora o caso do crânio dentro do saco de papel, trouxe pra gente o nanquim, a aquarela, o violão, a flauta doce, o origami, o batik, o desenho publicitário, o ábaco, a literatura, e essas meninas muito maneiras, essas pirralhas do cabelo liso e sua mãe dos olhos sonhadores.beijão e feliz aniversário!
12 de Maio de 2009 09:41
Artur Dias disse...
Falar em guerra, tinha o revólver. Não me perguntem o calibre, mas tinha, com coldre, cartucheira e tudo, de couro. Ficava pendurado numa prateleira da oficina na Pariquis com a Padre Eutíquio. Talvez mais por um "espírito pistolista", à moda mexicana, como diria o poeta Pablo Neruda, que propriamente para defesa pessoal. o fato é que revólver é coisa que chama moleque. E o Nazareno e eu, para não fugir à regra, um dia resolvemos pegar o danado. Mas o papai viu... Creio poucas vezes tê-lo visto com expressão tão infeliz no semblante, andando no fio da navalha, culpado até o último fio de cabelo, embora não nos tenha encontrado estiradinhos no chão. Mesmo assim, daquele dia em diante, nunca mais vimos o revólver, mandado sabe-se lá para onde. Apesar de que eu tinha a mais absoluta confiança de que o Nazareno não me apontaria a arma, como fazia a maioria dos moleques que nós conhecíamos.
12 de Maio de 2009 09:43

sábado, 9 de maio de 2009

A tv. Dr. Moraes.
Anos 60. Abro os olhos.O sol entra pelas frestas das paredes de madeira. O vapor sobe da panela de café.A casa fechada ainda guarda o cheiro gostoso.Na mesa, toalha de algodão branco, sobre ela um pão "massa-grossa" estalando de quente, cortado de comprido, passado manteiga e uma mantegueira verde limão transparente.
Nos quartos, as redes formando um "N".
Lá fora, mato alto, grosso. Era um capim afiado, riscava de leve a pele. Cortando o mato, pontes, ou como eu escutava falarem, estivas de madeira. A imagem era a de uma grande cabeleira verde se agitando com o vento, que começava na rua dos Timbiras e seguia até a rua Conceição. Prá mim não era bonito nem feio. Era normal. Eu não achava ruim.A gente morava lá e nunca ouvi ninguém dizer que aquilo era ruim. Andar se equilibrando pelas pontes era um mérito de moleque esperto, pelo menos na minha cabeça de moleque.
Compondo o espaço da Dr. Moraes, paralela às pontes, a vala, como se chamava popularmente, depois soube que podia se chamar também canal, o que prá mim soava menos pejorativo. A vala da Dr. Moaraes , pensando bem hoje, é uma entidade, um caráter próprio da rua. É a cara da rua, se a rua tivesse uma cara. Naquele tempo a agua era clara, dava prá ver os peixes. As laterais eram de cimento. Me disseram que foram os americanos, não sei por que cargas d'água, que construiram o leito da vala.