Neste mês de março, tempo das marés altas comemoraremos o aniversário do Flávio e do Artur. Que eles tenham sempre marés altas de felicidades.
Mas acho que tem mais alguns aniversários este mês, mas sabem como é, a família cresceu, a idade vai chegando e a memória já não é mais a mesma, bom, se alguém puder me lembrar quem mais faz aniversário este mês, eu agradeço.
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terça-feira, 1 de março de 2011
terça-feira, 9 de junho de 2009
Mamãe
Perdoem a falta de originalidade no título, mas como é a minha primeira postagem, ele é inevitável.
Então é março. 1978, precisamente. Chuva torrencial, a madrugada inteira. E o dilúvio transforma o que era rua em mar, a se estender por uma área enorme, dando assim, a impressão de um campo líquido, extenso e plano. E ela sente as dores. É urgente sair mas, nesse tempo? Fará isso pela décima vez em sua vida, mas o medo de ir e não voltar é real. o vento frio, coado pelas tábuas, pelos vãos das telhas, mantém o espírito alerta. A chuva cede, mas já está tudo tomado pela água, inclusive em alguns pontos do assoalho de madeira, onde é mais baixo, a lâmina d'água se insinua. Não há onde pisar, lá fora. A dor não permite esperar mais. Ela deve sair já.
Durmo o sono despreocupado dos oito anos, mas desperto ao sentir seu beijo na bochecha, na semi-obscuridade da manhã de céu pesado. Naquele beijo, senti apenas a mais profunda ternura, que, só nas horas quietas ela nos reservava, por ter a dura tarefa de nos administrar de dia e de noite. Hoje, sei que escondia a tensão e o medo de estar fazendo aquilo pela última vez. Nascido um Flávio bochechudo, tudo fica mais alegre e tranqüilo, as horas de medo e angústia esquecidas.
E os pequenos, ao seu redor, nem podem imaginar a incerteza das horas anteriores, nem ela permitiria que tão obscuros pensamentos invadissem aquelas cabecinhas puras, assim, tão cedo. Essa mamãe...
Então é março. 1978, precisamente. Chuva torrencial, a madrugada inteira. E o dilúvio transforma o que era rua em mar, a se estender por uma área enorme, dando assim, a impressão de um campo líquido, extenso e plano. E ela sente as dores. É urgente sair mas, nesse tempo? Fará isso pela décima vez em sua vida, mas o medo de ir e não voltar é real. o vento frio, coado pelas tábuas, pelos vãos das telhas, mantém o espírito alerta. A chuva cede, mas já está tudo tomado pela água, inclusive em alguns pontos do assoalho de madeira, onde é mais baixo, a lâmina d'água se insinua. Não há onde pisar, lá fora. A dor não permite esperar mais. Ela deve sair já.
Durmo o sono despreocupado dos oito anos, mas desperto ao sentir seu beijo na bochecha, na semi-obscuridade da manhã de céu pesado. Naquele beijo, senti apenas a mais profunda ternura, que, só nas horas quietas ela nos reservava, por ter a dura tarefa de nos administrar de dia e de noite. Hoje, sei que escondia a tensão e o medo de estar fazendo aquilo pela última vez. Nascido um Flávio bochechudo, tudo fica mais alegre e tranqüilo, as horas de medo e angústia esquecidas.
E os pequenos, ao seu redor, nem podem imaginar a incerteza das horas anteriores, nem ela permitiria que tão obscuros pensamentos invadissem aquelas cabecinhas puras, assim, tão cedo. Essa mamãe...
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