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domingo, 17 de janeiro de 2010

Crônica da semana - Raimundo Sodré

Sorrisos dos arrabaldes


Penso que a cidade se revela pra gente, no simbolismo de ambientes especiais, cheios de história e vida.
Em Belém, tenho os meus cantinhos:
A Pedreira, do samba e do amor, tem uma cola comigo que não desaprega nunca. Moro na Pedreira desde que me entendo por gente. Antes dos espigões e dos medos diários, eu pintava os canecos pelos alagados dos quintais, catando camapu, s’escondendo dos moleques nas brincadeiras de “camonhaboy”, ou em descobertas edificantes junto à uma galerinha pra lá de desinibida nos happy hour tecidos a ‘pó-rouge-batom’ ou a ‘ai, caí no poço’ (e por onde bate a água?...).
O progresso chegou. A macrodrenagem disciplinou irrequietos cursos d’água e revelou para o mundo o Acampamento, que não é um bairro, não é um aglomerado urbano ou um espaço conurbado. O Acampamento a mim, mais parece ser um enclave soberano e absoluto, enriquecido de solo colorido e pedregoso, ilustrado pelos contrastes de relevo que se confirmam nos barrancos à margem do Galo. Um condado irrigado pelos olhos d’água que teimam em brotar sob a pavimentação incipiente e delineado pela graciosa geografia que o integra, ao mesmo tempo, aos bairros da Pedreira, Telégrafo, Sacramenta e Umarizal. O Acampamento é um desafio-cidadão que guarda em si o charme e os mistérios do ‘interlan’ paraense.
Meu ‘suburbano coração’, já que está ali, pela ponte do Galo, apanha um ‘Nova-Marambaia-Telégrafo’, pega a Almirante, passa do marco da primeira légua, se adianta pelo Souza, camba direto para a estrada de Icoaraci e desembarca ali, adiante um pouquinho do Mangueirão. Uma região que me trouxe muitas emoções. Andei por ali bem antes do asfalto, das ocupações ao pegado das matas da Marinha, do grande estádio. Aquele trecho da Augusto Montenegro tinha uma mina de campos de futebol. Naquele estirão, o fabuloso Internacional da Mauriti alcançou as suas maiores glórias. Houve ocasião d’ a gente disputar uma partida aqui, no trevo do Pedro Teixeira e depois sair correndo pela estrada do Tapanã até outro campo, para o cumprimento de mais um compromisso de boleiro. E era no pique mesmo, porque naquele tempo, por aquelas bandas, não havia nada. Ônibus, asfalto, completo de suco com pastel, passe fácil. Nada, só as chácaras, e as pontas de mata. E era longe à beça. A gente, olha só, até se programava para passar as férias no Tenoné.
(Esta parte da cidade me intriga. Recordo a existência de um clube super animado. Depois da bola, a molecada sempre esticava para a piscina do Satélite. As lembranças são vagas e confusas. Às vezes penso tratar-se de outro clube, o da Mesbla, talvez. Sei, porém, que a gente sempre furava. Se metia por dentro do mato, disputava caminho com as formigas de fogo, relava um isso no arame farpado, mas, com pouco mais a gente já tava de flozô sumindo aqui, boiando acolá, na piscina dos grandes. Lembro também, que a música que reinava era o carimbó. O clube era uma alegria só, naquele remelexo molhado de salão. Essas imagens vêm à minha cabeça, confundem-se, somem, retornam. Às vezes sem o arame farpado, mas sempre com o ritmo e o calor do carimbó. Perece sonho. Nunca mais ouvi falar daquele lugar. Será que a piscina do Satélite existiu mesmo?).
A Escola Jarbas Passarinhio, ainda está lá, atrás do Bosque. E por aí agente tira. O lago, as canoinhas...
Dali, a gente atravessava a grande avenida, ia bater no Curió e emendava para as matas do Agronômico. Para passarinhar, para se perder entre os ‘canyons’ abissais por detrás da Bandeira Branca, para beijar, escondido, a morena e para contemplar os inocentes sorrisos dos arrabaldes.

sábado, 13 de junho de 2009

ANDORINHAS AO ENTARDECER




Não sei qual era a época do ano, mas eu me lembro que eu, Marcílio, Chardinho e Artur (acho) íamos pra cima da ponte da Timbiras, à tarde, por sobre a qual passava um revoada de andorinhas. Elas iam e voltavam aos montes, sem parar. Eu pegava um pedaço de pau e simulava bater nelas, me divertindo pra caramba.
Era muito bonito e melancólico ver aquilo. Era uma época em que a natureza ainda se manifestava por essas bandas de forma mais intensa.
Lembro que quando escurecia as andorinhas iam sendo substituídas por pequenos morcegos, que voavam tão rápido quanto elas e tinham mais ou menos o mesmo tamanho. Só que as andorinhas tinham a barriga branca e a costa preta ou cinza.
Se alguém lembrar disso mandem um comentário, falou?

ESPERA, ESPERA, ESPERA!!! VOCÊS SE LEMBRAM DO CANTO DA SARACURA? ÉGUA, EU FICAVA MEIO CABREIRO, DOIDO!!!
EI ARTUR!! TU TE LEMBRA DO FALCÃO PEREGRINO??
COMENTÁRIO José Maria
As andorinhas voavam bem baixo, formando uns desenhos no ar. Era muito bonito de se ver o bando voando com o céu escurecendo. Ainda não tinha muitas casas de frente prá nossa, então o horizonte era mais baixo e o céu era maior.
ARTUR FALA:
Artur Dias disse...
Eu lembro... Quem sabe se tocando numa daquelas andorinhas a gente não adquiria o poder daquele vôo vertiginoso, rasante?
15 de Junho de 2009 09:17

Artur Dias disse...
Uma loucura o Falcão peregrino! Fiquei sem fôlego, a primeira vez que vi o dito cujo pegar um pássaro no ar, um fim de tarde. Mas só anos mais tarde é que fui saber que era um peregrino. Quantos olhavam para o céu como aqueles pirralhos de cabelo preto?
15 de Junho de 2009 09:29

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A oficina do riso.


Tinha umas horas na oficina do papai que parecia que todos os rádios e televisões já estavam consertados e ai então o papai e o Inácio e quem estivesse por lá começava a sessão de piadas. Tá! Deixa estar!! Zé Maria, moleque, queria se enturmar, ser gente grande também. Lá fui eu, depois da aula, tentar decorar uma estória que tinha no meu livro de português(uma estórinha sobre uma onça marota que se fingia de morta prá comer os animais da floresta)Muleque! Eu ria sozinho da tal onça. Pois bem. Lá estamos nós , naquela hora da piada. Piada de português prá lá, piada de papagaio prá cá(tudo bem, que eu às vezes não entendia )E eu refazendo mentalmente a minha piada na cabeça. Agora eu conto...agora eu conto...Pá! surgiu a brecha e eu: - A onça blá, blá, blá, blá , blá...Pronto terminei a piada!(cri...cri...cri...)Silêncio...Todo mundo aproveitou prá me sacanear.-Terminou a piada???Faz cosquinha aqui!

Claro que ninguém quis rir da minha piadinha. Foram rir, depois foi de mim. Pô! Quase eu fico traumatizado.

domingo, 17 de maio de 2009

E o Maxico ?

Caramba, acabei de lembrar uma do Maxico!
A gente estava na sala ( qdo. a casa ainda era de madeira), na janela da frente, quando o Maxico passou por lá( com aquela vassoura na mão, que eu nunca vi ele varrer nada) falando coisa com coisa e ai o Inácio que não era moleque, deu uma sacaneada nele. O Maxico já estava na frente da casa do Dão, pois ele voltou fazendo um discurso ininteligivel, o dedo em riste( como dizem os clássicos) mas o INácio, sério como ele era, contradisse o lunático, então não deu outra: Só vi e ouvi a a vassourada zunindo por entre as nossas cabecinhas emolduradas na janela. Crash! O cabo da vassoura quebrou na janela. O Inácio deu um pulo prá fora prá pegar o Maxico e ele que era maluco , mas não era besta, saiu em disparada(deixando o Inácio prá trás) vencendo as lamas e os matos da Dr. Moraes .KKKKKKK.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Artur disse...

Artur Dias disse...
E Neste doze de maio, o Zé fica mais velho. E isto serve para nos lembrar que, se tem artista nessa família, a culpa é dele. Sempre com alguma novidade pra lá de estranha, ou simplesmente bacana. Fora o caso do crânio dentro do saco de papel, trouxe pra gente o nanquim, a aquarela, o violão, a flauta doce, o origami, o batik, o desenho publicitário, o ábaco, a literatura, e essas meninas muito maneiras, essas pirralhas do cabelo liso e sua mãe dos olhos sonhadores.beijão e feliz aniversário!
12 de Maio de 2009 09:41
Artur Dias disse...
Falar em guerra, tinha o revólver. Não me perguntem o calibre, mas tinha, com coldre, cartucheira e tudo, de couro. Ficava pendurado numa prateleira da oficina na Pariquis com a Padre Eutíquio. Talvez mais por um "espírito pistolista", à moda mexicana, como diria o poeta Pablo Neruda, que propriamente para defesa pessoal. o fato é que revólver é coisa que chama moleque. E o Nazareno e eu, para não fugir à regra, um dia resolvemos pegar o danado. Mas o papai viu... Creio poucas vezes tê-lo visto com expressão tão infeliz no semblante, andando no fio da navalha, culpado até o último fio de cabelo, embora não nos tenha encontrado estiradinhos no chão. Mesmo assim, daquele dia em diante, nunca mais vimos o revólver, mandado sabe-se lá para onde. Apesar de que eu tinha a mais absoluta confiança de que o Nazareno não me apontaria a arma, como fazia a maioria dos moleques que nós conhecíamos.
12 de Maio de 2009 09:43