quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Dias de Paz

Fátima, teu poema é perfeito. O céu pode estar cinzento, mas o temos azul, dentro de nossa memória e de nossa certeza.
Parabéns,parabéns, parabéns. Queremos mais vezes tua intervenção aqui no Pirão.

21 Anos

Não foram fáceis, aqueles três anos seguidos, de doença e incerteza quanto ao futuro. No Réveillon de 87 para 88, estávamos sós em casa, quando todos tinham saído para comemorar. Ele vem, me abraça forte e diz no meu ouvido, em prantos: "filho, deste ano eu não passo". Surpreso, e ao mesmo tempo impactado, não pude responder mais que um "não diga isso, pai, não esquente..."
De fato, o nosso astral era muito ruim. O processo de adoecimento não fica restrito ao paciente: se estende à família, dos pequenos aos grandes. Era a minha passagem para a vida adulta, na forma mais dolorosa possível. Sem querer reconhecer o fato inevitável da morte cada vez mais próxima, ficávamos tensos, buscando confortá-lo. O que mais se podia fazer, se o próprio médico já tinha sentenciado para a mamãe:
- Leve seu marido para morrer em casa...
Então, lembro com orgulho, o grande número de pessoas que veio à sua missa de corpo presente, e na manhã seguinte, a pedido do Miguelão, a oração da multidão de crianças, junto ao corpo, antes da missa das crianças, como um coro de anjos caboclos, um bocado deles mirradinho e queimado de sol... E por fim, o enorme cortejo que se formou, com carros, até o cemitério. Parecia enterro de figurão, pensei. Ele teve uma homenagem à altura. Afinal, muitos se surpreendiam com a bravura de alguém que não tinha perdido um filho sequer, para a fome, a doença, o crime.
Ele fez falta. Porque muitas e muitas vezes depois, tive o impulso de abraçá-lo e só tinha um vazio diante de mim. Porque chegava da rua e queria perguntar por ele. Até se viesse me esculachar eu ficaria contente...
O edifício da vida continuou a se erguido, depois que ele se foi. Ficamos com a dor, mas como disse Adélia Prado, a dor não é o mesmo que amargura. E passa.

Só em Belém tem disso!!! Não sei se choro ou rio.

Querem arrebentar, além do Código de postura do município, com a testa do ceguinho.Essa foto, chupada do blog BELENÂMBULO(muito legal, acessem) é de uma casa que toma simplesmente a calçada da esquina da av.Duque de Caxias e rua Perebebuí.Confiram:

terça-feira, 8 de setembro de 2009

DIAS de chuva são véspera de tempo bom

Há vinte e um anos ,dia dez de setembro que nosso pai o Seu Zé Dias,terminou sua missão aqui na terra.O Zé Maria descreveu muitíssimo bem o perfil do nosso saudoso pai. Seu Dias também era um intelectual ,pois gostava de poema e música de boa qualidade.Nosso pai possuía uma educação rara para alguém que dizia não ter estudado o suficiente.
Com uma licença poética,através de poema do Beto Guedes ,quero homenageá-lo

DIAS de paz

Olho e vejo cinza a cor do céu,

porém sei de cor a cor do azul.

DIAS de chuva são véspera de tempo bom,

cai a chuva e chama o verão.

E eu já aprendi cada som

que forma sua canção.Você se foi,deixou marcas no meu coração

e bom mesmo é ter você bem perto ,

mesmo que distante,

fazer voltar os bons momentos e

celebrar tudo o que deu certo.

Agora DIAS de sol

ao meu redor,

é você a mais bela estrela no céu do criador

irradiando tanto amor.

E eu assim que sou tão só,

quero esse sol ao meu redor.

Tenho a sua voz no coração.

DIAS assim ,com direção.

DIAS assim,DIAS de paz!

DIAS de sol ao meu redor.

Quero a canção no coração

DIAS de luz,DIAS de paz,

no céu sem fim,que é todo azul,

que é todo seu,DIAS,meu pai,

que é nosso pai,DIAS de paz!



Com isso quero dizer:-JOSÉ DIAS PARA TODO SEMPRE!

BEIJOS AOS MEUS IRMÃOS QUE SÃO ,ASSIM COMO EU, PARTE BOA DO SENHOR JOSÉ DIAS.

FÁTIMA DIAS



8 de Setembro de 2009 18:52

OLHA O QUE O VIGIA NOTURNO FOTOGRAFOU ONTEM DE NOITE. ARREPIANTE!

ONTEM FOI NOITE DE LUA.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

VAMOS CRIAR UM BOATO???

Já sei vamos inventar um boato e espalhar na cidade???
O que vocês acham? Escolhemos pessoas que possuem uma necesssidade enorme de falar -Fofoqueiros (as)- falamos o boato esperamos o resultado disso. Mas lembrem-se que não podemos falar nos boatos pela internet senão vamos ser desmascarados facilmente.
kkkkkkkkkk.

O Casal colado pelas partes.

Essa crônica do Raimundo Sodré lembrou uma situação vivida por mim e uma conhecida minha, a professora Neila. Não, não, não fomos nós que nos colamos!!! A história se passou nos idos de 1993 mais ou menos, quando o país atravessava uma situação braba financeiramente... Alguém inventou, segundo a Neila, que um casal, por castigo de Deus, havia ficado colado pelo sexo depois de cometerem adultério num interior do Pará de nome não revelado... O dito casal teria sido trazido para Belém para proceder à cirurgia que os livraria do tal castigo de Deus. O que me deixou impressionado foi a seriedade com que a Neila contava essa história. Eu não conseguia entender por que uma pessoa com o nível de formação (ela era graduanda da UFPA) que ela tinha pudesse acreditar num boato daqueles. Sabia-se que o casal chegara sob forte esquema de segurança e envoltos em lençóis para esconder tamanho e vergonhoso pecado. Os infelizes pecadores, dizque, haviam recebido guarida na Igreja dos Capuchinhos e, de lá, saíriam direto para conceituado hospital do estado para proceder à separação dos corpos colados. O boato se espalhou como rastilho de pólvora, ou como fogo em mato seco, digno de uma eficiente rádio cipó por toda a cidade. Eu não queria acreditar que aquela mentira ganhasse à meia-boca contornos de furo jornalístico chegando às emissoras de rádio que discutiam se o fato podia ocorrer ou não, se aquilo era possível ou não... uma verdadeira polêmica para ganhar audiência. Pois bem, eis que estou juntamente com a professora Neila dentro de um ônibus que passaria bem em frente à tal igreja. Juro por tudo quanto é mais sagrado! Ao passar lá na frente, vi, estarrecido, uma multidão de pessoas se acotovelando na porta dos capuchinhos, e uma fila enorme, bem organizada, dando uma volta incrível pelo quarteirão, tudo isso porque as pessoas queriam atestar a veracidade da notícia que rolava solta afirmando a presença do casal na casa de Deus. Súbito, passou uma idéia dessas que só iluminam os mais geniais num momento de crise. Eu e Neila iríamos fingir sermos parentes das vítimas e passar uma folha de papel em branco arrecadando 1 cruzeiro de cada pessoa presente ali naquela hora para ajudar nas despesas médicas da operação...... Minha parceira de viagem, nessa hora, caiu na gargalhada junto com outros passageiros que ouviram minha conversa... O ônibus passou lentamente pela frente da igreja assim como minha ilusão de enriquecimento ilícito ia-se desvanecendo à medida que aquela fila imensa ia ficando para trás....

Crônica da semana-Raimundo Sodré

O Menino da Catedral


Há várias versões para a história. Eu conheço duas. A opção por uma ou por outra, dependia do tipo de ‘mal-criação’ que eu fazia para a mamãe.
uma diz que o menino, por mostrar a língua pra mãe, saiu do ar, ficou durinho da silva, pra sempre, com a língua estendida a mais de palmo, além da boca. A outra é a da vassoura. O menino teria levantado a vassoura Alvorada, contra a mãe e...puft! Virou ‘estalta’ de carne e osso. As duas me impressionam.
Em ambos os casos, o mesmo desfecho: o menino mal’ouvido, mumificado, foi confinado atrás da porta da Sé. Dali, morto em pé, jamais sairá e a sua história será contada a qualquer tempo para servir de exemplo aos moleques mais saidinhos.
Eu conto esta história pros meus meninos e advirto: “olha, não dá a língua pra mãe, não faz menção de bater no pai, porque Papai do Céu ralha!” E eles nem ‘seu souza’. Não acreditam e esmeram-se nas peraltices.
Agora essa semana, calhou d’eu ter a oportunidade de pôr esta história em pratos limpos: estava a fim de dar uma volta pelo complexo Feliz Lusitânia, mas como não tinha o numerário para o roteiro completo que inclui o prédio do antigo arcebispado e do Ipar e ainda a igreja de Santo Alexandre, atravessei e fui a um ansiado reencontro com a Catedral reformada e formosíssima.
Estava meio tenso, admito. Volteei pelo interior do templo tentando assimilar as belezas da construção medieval. Tentando relaxar. Procurando disfarçar o real motivo daquela visita.
Na saída, estanquei à porta. O coração no peito “tucotucotuco”, acelerado, acreditando que no vão entre a pesada porta e a parede fria da igreja, sutilmente ocultado por um detalhe arquitetônico, espreitava ereto, o espectro do menino mal-criado, com a língua esticada pra fora. O Menino da Catedral, entidade mítica e argumento poderosíssimo de minha mãe nas horas de me passar um pungente carão.
Aproximei-me da porta. Tomei fôlego, e num repente, desloquei a pesada peça de madeira... E tudo se fez em mistério (pois o insondável, o inexplicável, o segredo que floresce do imaginário popular... a lenda reluta em se revelar).
Não sei, exatamente, o que aconteceu comigo naquele instante. Só sei que, quando dei por mim, havia um funcionário da igreja me amparando e me ajudando a levantar do banco. Estava meio alerdado e um suor frio brotava generoso da palma das minhas mãos e das frontes. “Está tudo bem?”, perguntou o funcionário. Não respondi e me apressei em ganhar a rua. Antes, porém, dei que a pesada porta estava totalmente aberta, encostada na parede lateral, e escondendo aquele discreto vão, como de costume.
Só fui tornar, lá embaixo, aos pés do Senhor dos Navegantes, na Praça do Pescador. A brisa úmida da baía veio ao meu encontro e me devolveu os sentidos. E foi assim, na mais completa lucidez, que a imagem do menino foi se revelando para mim: o corpo extraordinariamente preservado, os olhos arregalados de medo (ou de arrependimento, não sei), a tez entristecida de morto-vivo. O menino desobediente, com a língua estirada pra fora, a mais de palmo e as mãos a sustentar no ar, uma ameaçadora vassoura. Teso, teso, o menino.
A imagem era nítida na minha mente. O vento vinha da baía e trazia a figura do Menino da Catedral entesado por ter mostrado a língua para a mãe. Condenado ao silêncio e à solidão de um compartimento frio detrás da porta Sé. Ele, o personagem de uma história, indubitavelmente, verdadeira.
Eu falo pros meus meninos: “olha, não põe a língua pra mãe, não faz gracejos de bater no pai, que Papai do Céu ralha...”, mas eles, nem aí. Não acreditam.
Eu acredito.

domingo, 6 de setembro de 2009

Eu, o Jorge e o barco.

Esse episódio do barco do tio Dico se passou em um porto lá na Estrada Nova. Só porque eu desenhava mais ou menos, eu achava que também sabia pintar letras. Eu era mais é um enrolão!
Chegamos , eu e o Jorge no local do serviço. A maré estava totalmente seca e o barco estava sentado na lama da beira do rio. Eu fiquei ali, me equilibrando numas pedras e umas tábuas, riscando e pintando o tal letreiro. Só que ao longo da manhã a maré ia subindo bem devagar.Comecei pintando as palavras mais ou menos na altura da minha cabeça. À medida que a maré enchia, naturalmente o barco ia flutuando e automáticamente eu ia esticando o braço. Os pés dentro da água.Chegou numa hora que eu estava todo espichado finalizando os ipsilones frufruzados do nome do tal barco. Depois o tio ainda pediu prá pintar umas araras e as bandeiras do Brasil e do Pará na frente da cabine. Ficou bom.
Nesse dia também eu e o Jorge (meu grande companheiro meu irmão camarada) degustamos uma iguaria no almoço. Não lembro se foi o tio Dico ou um empregado dele que apareceu com um pedaço de carne crua, dizendo que aquele seria nosso almoço. Ora, como eu não vi nenhum fogão ou panela por perto fiquei meio cabreiro de como seria feito o almoço. Fiquei calado, esperando chegar a hora do almoço. Como disse, não lembro quem, mas essa pessoa catou uns pedaços de ripa jogadas pela beira, arrumou-as por cima dumas pedras sujas e começou a tentar colocar fogo na madeira. Todas as tentativas foram vãs. E a fome apertando! Até que ele, vendo a minha lata de AGUARRÁS(prá quem não sabe, um derivado combustível de petróleo, usado para remover e diluir tinta) teve a idéia de jogar boa quantidade do conteúdo na madeira e assim ateou fogo. Fogo alto. Em seguida colocou a carne em cima da labareda. Quando parecia estar devidamente no ponto, nosso "Chef" retirou o quitute das brasas e nos serviu o prato do dia. Eu e o Jorge, então, desgustamos ali, naquela paisagem privilegiada, o autêntico churrasco ao molho de querosene.
Um tralhoto, no rio, nos olhava pelo canto dos olhos(acho legal essas frases nada a ver no final de historinhas, kkkkkkkk).

sábado, 5 de setembro de 2009

ÁRVORE GENEALÓGICA(?)

Que tal a gente tentar lembrar o nome dos tios e tias, primos do papai e da mamãe, e seus respectivos pais para podermos ter uma visão da nossa árvore genealógica? Por exemplo: Tia Dudu era a irmã da vovó Chiquinha, mãe do papai, Tio Dico era irmão mais novo do vovô Bertino.

TIA DUDU (DOLORES).

Acho que já contei essa. Quando éramos bem "jititos", dia de domingo o papai pegava a mamãe, botava ela no jipe ( o "bala"!) e íamos visitar a tia Dudu, que morava perto do museu Goeldi. Lá chegávamos e a tia Dudu nos recebia carinhosamente bem a todos (acho que naquela época éramos cinco... Zé, eu, Nem, Fátima e um mijãozinho...o Naza). Sempre havia um lanche supergostoso a nos recepcionar e a gente adorava aqueles mimos da tia. Pois bem, alí podíamos correr à vontade e aprontar muitas... Quando o papai se enfezava e nos chamava a atenção, era logo repreendido pela tia. Ela era muito parecida com sua irmã, a vovó Chiquinha. O papai ficava todo quieto quando ela o repreendia nos defendendo e eu achava o máximo aquela cena!

TIO DICO, EU E O ZÉ (parte 2).

Conforme disse, depois de pôr o bule quase vazio de café sobre a fogueirinha, saí de perto para não pegar a culpa e fui para perto de onde o tio estava. Ele estava todo ensaboado, pois tomava banho no rio (que não lembro o nome!) e, me olhou, deu meia volta e, TCHIBUM!!!, mergulhou no rio. Vi a espuma branca do sabão se erguendo sobre a água turva, amarelada como deve ser um rio da nossa terra (este fato se deu aqui mesmo em Belém). Daí que o tio não boiou, como eu esperava que logo acontecesse. Depois de um longo tempo, o tio reaparece bem longe do lugar onde havia mergulhado e, rindo, vem na minha direção (ele tinha um dente de ouro) perguntando se eu estava preocupado pela demora dele. Eu, criança, respondi tranquilamente: eu não! O papai me contou que o senhor salvou ele quando ele era criança, então o senhor sabe nadar e não ia se afogar!!!