Sempre combati aqui a idéia do "DNA Artístico" por uma única razão: esta idéia, além de não ter fundamento científico, remete às teorias da eugenia, utilizadas como instrumento de opressão por regimes totalitários, e que levaram a catástrofes. A mais conhecida delas, o Holocausto; outra que todo brasileiro deveria conhecer é o massacre secular dos povos indígenas.
Não temos DNA artístico. Temos, sim, a grande sorte de ter contado com pessoas interessadas na arte, que nos incentivaram e acompanharam. Nenhum de nós se tornou "artista plástico" na acepção mais usual, no sentido de criador de conceitos. Somos grandes ilustradores, o Daniel talvez o melhor, principalmente na anatomia, graças a longo estudo no livro emprestado pelo Edinaldo. Daniel e Clara, separados na idade por poucos anos, já aterrissaram num cenário de tintas, canetas, pincéis e lápis. Não tiveram que agüentar a lenga-lenga que de vez em quando o papai desfiava: "Artista não fica rico, o meu primo que mora no Rio e é desenhista não ficou rico...". Ou então a mamãe: "meu filho, porque o braço desse homem aqui [aponta o desenho] tá torto??"
Clara, artista intuitiva, investiu esse talento em outro mundo, na fronteira que liga a indústria com a arte. Empreendedora, sei que participou de tudo o que fosse encontro, congresso e oficina que pudesse lhe mostrar coisas novas, abrir novas visões, enriquecendo também seu currículo. Uma hora, esse esforço tinha que ser recompensado. E todos lhe agradecemos, porque nos sentimos recompensados também, afinal, não são os jovens a promessa de um futuro melhor?
É grande a responsabilidade de representar a Uepa, fora do país (não esquece a vacina, hein?), mas o conhecimento acumulado nos autoriza a dizer que será uma tarefa muito bem cumprida.