Faltou um dedo pra completar "46".
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Orações
Essa vela aqui, é a mesma que eu coloquei quando o nosso sobrinho Rodrigo passou por maus momentos, mas superou.
Agora eu a acendo pela minha cunhada, a Regina, que vai passar por uma cirurgia delicada.
Peço a todos que mandem muita força positiva prá que ela possa pular essa fogueira e voltar prá familia commuita saúde.
Agora eu a acendo pela minha cunhada, a Regina, que vai passar por uma cirurgia delicada.
Peço a todos que mandem muita força positiva prá que ela possa pular essa fogueira e voltar prá familia commuita saúde.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Amar é…
Por Cássio Andrade
Quando criança, procurava aprender o que era amar, vendo os bonequinhos do “amar é…” com suas frases de efeito sobre o amor recheado por uma filosofia simples quase de auto-ajuda. Pareciam receitas na confeitaria do afeto.
Também fui ensinado a amar meus pais. Em minha infância, ainda se chegou a seguir a velha fórmula: papai no bolso, mamãe no coração. Quanta distância entre o bolso e o coração! À mãe, a ternura, o carinho, o afeto; ao pai, o trabalho, a autoridade, nenhum doce predileto. Minha geração precisou mudar esse receituário.
Ainda bem que aprendemos a amar nossos pais, como se não houvesse amanhã, da forma como alguém, já do outro lado, nos ajudou a amar as pessoas. Que país poderíamos nos tornar se continuássemos a amar do velho jeito?
Nesse dia dos pais, peço licença para, em nome do amor radical e sem fronteiras, render homenagem a meu filho. Na verdade, agradecê-lo por me fazer pai; por obrigar a revelar o rosto materno da paternidade.
Confesso que tentei projetar um caminho diferente a meu filho: jogar bola, levar ao campo, falar das minas, impor-lhe um clube para o qual torcer, essas coisas que usalmente fazem os pais aos filhos varões. A vida me fez abortar esse filho projetado e mudar o enredo dessa história. Ainda bem, pois aprendi a sair da óbvia condição de pai.
Pequenino, com meu filho fiz coisas que o monopólio das mães e avós não permitem ao pai. Troquei fraldas, limpei cocô, dei chuca e embalei na cadeira para fazer dormir. Até coloquei fio na testa para acabar com o soluço. Rompi os tabus da maternidade, às vezes sobre o desaprovo tácito da mãe. Ah, como é bom ser pai e mãe!
Obrigado, meu filho, por continuar a te amar sem condições. A continuar a vê-lo dormir com o rosto eterno da inocência. Diante das incertezas da juventude atual, tenho a feliz certeza de que sempre serás inocente, diante de um mundo mal, descrente e decadente; imundo mundo pós-moderno.
Amar é se tornar irmão, em sendo pai… Feliz dia com os filhos, nesse dia de pai!
Quando criança, procurava aprender o que era amar, vendo os bonequinhos do “amar é…” com suas frases de efeito sobre o amor recheado por uma filosofia simples quase de auto-ajuda. Pareciam receitas na confeitaria do afeto.
Também fui ensinado a amar meus pais. Em minha infância, ainda se chegou a seguir a velha fórmula: papai no bolso, mamãe no coração. Quanta distância entre o bolso e o coração! À mãe, a ternura, o carinho, o afeto; ao pai, o trabalho, a autoridade, nenhum doce predileto. Minha geração precisou mudar esse receituário.
Ainda bem que aprendemos a amar nossos pais, como se não houvesse amanhã, da forma como alguém, já do outro lado, nos ajudou a amar as pessoas. Que país poderíamos nos tornar se continuássemos a amar do velho jeito?
Nesse dia dos pais, peço licença para, em nome do amor radical e sem fronteiras, render homenagem a meu filho. Na verdade, agradecê-lo por me fazer pai; por obrigar a revelar o rosto materno da paternidade.
Confesso que tentei projetar um caminho diferente a meu filho: jogar bola, levar ao campo, falar das minas, impor-lhe um clube para o qual torcer, essas coisas que usalmente fazem os pais aos filhos varões. A vida me fez abortar esse filho projetado e mudar o enredo dessa história. Ainda bem, pois aprendi a sair da óbvia condição de pai.
Pequenino, com meu filho fiz coisas que o monopólio das mães e avós não permitem ao pai. Troquei fraldas, limpei cocô, dei chuca e embalei na cadeira para fazer dormir. Até coloquei fio na testa para acabar com o soluço. Rompi os tabus da maternidade, às vezes sobre o desaprovo tácito da mãe. Ah, como é bom ser pai e mãe!
Obrigado, meu filho, por continuar a te amar sem condições. A continuar a vê-lo dormir com o rosto eterno da inocência. Diante das incertezas da juventude atual, tenho a feliz certeza de que sempre serás inocente, diante de um mundo mal, descrente e decadente; imundo mundo pós-moderno.
Amar é se tornar irmão, em sendo pai… Feliz dia com os filhos, nesse dia de pai!
O mistério das "Tapauéres"
Ontem, domingo dia dos pais, a gente andando pelas ruas da periferia, podíamos ver a movimentação das familias reunidas. O som ligado, os copos cheios, o churrasco correndo, a farofa, a salada crua, de maionese, arroz com galinha, as lasanhas, vatapas, maniçobas, feijoadas e pra fechar, o doce sabor dos cremes de cupuaçu, abacaxi, bacuri, pavês diversos, açai com tapioca.
Lá pelas 4 da tarde, todo mundo de bucho cheio ( que nessas alturas ninguém está "satisfeito"), triste, é hora dos filhos, genros e noras voltarem para suas respectivas casas. Na despedida, o indefectivel hábito de arrumar as vasilinhas com um pouquinho de cada comida devorada durante a reunião. Junta feijoada com uns pedaços de frango assado, bolo de chocolate com uma macarronada e assim vai, conforme o saldo das panelas.
Não se sabe de onde aparecem as "tapauéres". São tantas entre outras improvisadas com embalagens diversas, como as de sorvete Kibom, potinho de margarina e outras mais. Chegando em casa lava e guarda. Dai nova reunião e o ciclo reinicia. A vasilinha que eu já peguei da mamãe com tapioquinha, levei prá casa, e numa próxima situação, lá vai ela com mingau prá casa de outro ente querido e assim sucessivamente...
O enigma que fica é: Por quais caminhos andam, nessas alturas, esses tapperwares todos ?
Lá pelas 4 da tarde, todo mundo de bucho cheio ( que nessas alturas ninguém está "satisfeito"), triste, é hora dos filhos, genros e noras voltarem para suas respectivas casas. Na despedida, o indefectivel hábito de arrumar as vasilinhas com um pouquinho de cada comida devorada durante a reunião. Junta feijoada com uns pedaços de frango assado, bolo de chocolate com uma macarronada e assim vai, conforme o saldo das panelas.
Não se sabe de onde aparecem as "tapauéres". São tantas entre outras improvisadas com embalagens diversas, como as de sorvete Kibom, potinho de margarina e outras mais. Chegando em casa lava e guarda. Dai nova reunião e o ciclo reinicia. A vasilinha que eu já peguei da mamãe com tapioquinha, levei prá casa, e numa próxima situação, lá vai ela com mingau prá casa de outro ente querido e assim sucessivamente...
O enigma que fica é: Por quais caminhos andam, nessas alturas, esses tapperwares todos ?
sábado, 7 de agosto de 2010
Feliz dia dos pais prá todos
Manoel, o audaz
Raimundo Sodré
Há alguns anos, lá na Praça da República eu vi o Delcley Machado tocando a música “Manuel, o Audaz”, do compositor mineiro Toninho Horta. Fiquei impressionado com aquela apresentação. Primeiro porque o show era ao ar livre e, já sabe né, com direito àquelas limitações de infra que a gente conhece quando o poder público se anima para ofertar um issozinho de bom para o povo. Mas olha só, benza Deus este menino Delcley. Ele foi primoroso, impecável na interpretação. Tocou com uma sensibilidade, com uma entrega. Mergulhou na melodia e nos apresentou alguma coisa que eu acho ser um pedacinho do céu. (E para não ser injusto na lembrança, acompanhando a encantadora guitarra e juncando de flores os solos fenomenais do Delcley, naquele dia, estava uma galera feríssima da música instrumental paraense).
Além do talento dos músicos que se doavam à pura arte, ali no anfiteatro da Praça, a melodia deixou marcas. Eu já conhecia outras versões, inclusive enriquecida com um belo poema, na voz do próprio Toninho Horta, mas naquele dia, a música daquele jeito (só tocada e com aquela harmonia mágica do Delcley), me veio com um calor especial. Calor de pai. Bateu, sabe. Fez tóim óim óim aqui dentro da minha caixola. Liguei o Manuel audaz da canção, ao Manoel meu pai, lá do Xapuri.
Sei pouco sobre ele. Parte do que sei de meu pai é o que minha mãe contava quando eu era pequeno. Depois que cresci, procurei saber mais. Fiz duas viagens ao Xapuri. Na última delas, passei cinco dias no seringal em que nasci e acabei participando da rotina do campo (querendo ser audaz), acordando cedo, espalhando ração pelo terreiro, chamando os bichos pra comer: thu thu thu thu thu (e vinha pato, pintinho, galinha, até porco, cabrito, bode apareciam no quintal atrás dum petisco). Experimentei o desjejum do seringueiro montado com carnes, caldos e o que mais desse ‘sustança’. Fui pra lida. Pilei arroz, tirei mourão, colhi o milho (e sabia que isso, esse usufruto de uma rocinha, um carvão aqui, uma casa de farinha acolá, esse mínimo para viver como bom cristão era uma conquista grandiosa do homem da floresta. Muita gente tombou sob a mira dos poderosos para que eu estivesse ali colhendo folhas da hortinha nos fundos do barracão. Por causa dessa vitória histórica, eu fazia aquilo envaidecido, orgulhoso do meu povo acreano). Ganhei as ruas de seringa, nos altos dos igarapés, e risquei umas quantas árvores pelo caminho. Em cada uma delas, deixei fincada minha tigela na espera dos gotejos preciosos que a nós são oferecidos pela abençoada, pela laureada Hevea brasiliensis. Proseei com meus tios, meus primos, ao anoitecer; ouvi a cotação da borracha pela Rádio Nacional de Brasília e como um bom seringueiro, me aquietei antes do Cruzeiro do Sul tombar no horizonte. Adormecia sempre cansado e pensativo, acompanhando a fumacinha e a tisna que a lamparina desenhava no telhado.
Depois do seringal, passei uns dias na cidade e conheci mais histórias de meu pai. Soube das traquinagens, dos desafios que ele enfrentou. E da batalha que não conseguiu vencer. Histórias fortes. Comoventes.
De homem forte que era, definhou. Morreu naquelas terras longes chamando pelos filhos.
Quando deixei o Acre, trouxe na bagagem meu pai de verdade. Um pai que eu sempre quis ter. Um Manoel audaz que aplicava até injeção e tomava uma bebida chamada leite de onça. Um pai que mesmo na ausência, me ensinou (ou fez nascer em mim, sei lá) esta vontade de ser pai.
Amanhã, a melodia de Manuel, o Audaz, do jeito que o Delcley tocou lá no anfiteatro vai trazer de novo, meu pai pra mim (e vou me confortar com o pouquinho de Manoel que sou). Na hora do almoço, pra abrandar meu coração, vou ficar só ouvindo os meus filhos: “pai, tal coisa assim assim?”, “o que acha disso, pai?”. Pai, isso. Pai, aquilo. Pai...E não vou me cansar de ouvir... “Pai”...
Preciso ouvir.
Raimundo Sodré
Há alguns anos, lá na Praça da República eu vi o Delcley Machado tocando a música “Manuel, o Audaz”, do compositor mineiro Toninho Horta. Fiquei impressionado com aquela apresentação. Primeiro porque o show era ao ar livre e, já sabe né, com direito àquelas limitações de infra que a gente conhece quando o poder público se anima para ofertar um issozinho de bom para o povo. Mas olha só, benza Deus este menino Delcley. Ele foi primoroso, impecável na interpretação. Tocou com uma sensibilidade, com uma entrega. Mergulhou na melodia e nos apresentou alguma coisa que eu acho ser um pedacinho do céu. (E para não ser injusto na lembrança, acompanhando a encantadora guitarra e juncando de flores os solos fenomenais do Delcley, naquele dia, estava uma galera feríssima da música instrumental paraense).
Além do talento dos músicos que se doavam à pura arte, ali no anfiteatro da Praça, a melodia deixou marcas. Eu já conhecia outras versões, inclusive enriquecida com um belo poema, na voz do próprio Toninho Horta, mas naquele dia, a música daquele jeito (só tocada e com aquela harmonia mágica do Delcley), me veio com um calor especial. Calor de pai. Bateu, sabe. Fez tóim óim óim aqui dentro da minha caixola. Liguei o Manuel audaz da canção, ao Manoel meu pai, lá do Xapuri.
Sei pouco sobre ele. Parte do que sei de meu pai é o que minha mãe contava quando eu era pequeno. Depois que cresci, procurei saber mais. Fiz duas viagens ao Xapuri. Na última delas, passei cinco dias no seringal em que nasci e acabei participando da rotina do campo (querendo ser audaz), acordando cedo, espalhando ração pelo terreiro, chamando os bichos pra comer: thu thu thu thu thu (e vinha pato, pintinho, galinha, até porco, cabrito, bode apareciam no quintal atrás dum petisco). Experimentei o desjejum do seringueiro montado com carnes, caldos e o que mais desse ‘sustança’. Fui pra lida. Pilei arroz, tirei mourão, colhi o milho (e sabia que isso, esse usufruto de uma rocinha, um carvão aqui, uma casa de farinha acolá, esse mínimo para viver como bom cristão era uma conquista grandiosa do homem da floresta. Muita gente tombou sob a mira dos poderosos para que eu estivesse ali colhendo folhas da hortinha nos fundos do barracão. Por causa dessa vitória histórica, eu fazia aquilo envaidecido, orgulhoso do meu povo acreano). Ganhei as ruas de seringa, nos altos dos igarapés, e risquei umas quantas árvores pelo caminho. Em cada uma delas, deixei fincada minha tigela na espera dos gotejos preciosos que a nós são oferecidos pela abençoada, pela laureada Hevea brasiliensis. Proseei com meus tios, meus primos, ao anoitecer; ouvi a cotação da borracha pela Rádio Nacional de Brasília e como um bom seringueiro, me aquietei antes do Cruzeiro do Sul tombar no horizonte. Adormecia sempre cansado e pensativo, acompanhando a fumacinha e a tisna que a lamparina desenhava no telhado.
Depois do seringal, passei uns dias na cidade e conheci mais histórias de meu pai. Soube das traquinagens, dos desafios que ele enfrentou. E da batalha que não conseguiu vencer. Histórias fortes. Comoventes.
De homem forte que era, definhou. Morreu naquelas terras longes chamando pelos filhos.
Quando deixei o Acre, trouxe na bagagem meu pai de verdade. Um pai que eu sempre quis ter. Um Manoel audaz que aplicava até injeção e tomava uma bebida chamada leite de onça. Um pai que mesmo na ausência, me ensinou (ou fez nascer em mim, sei lá) esta vontade de ser pai.
Amanhã, a melodia de Manuel, o Audaz, do jeito que o Delcley tocou lá no anfiteatro vai trazer de novo, meu pai pra mim (e vou me confortar com o pouquinho de Manoel que sou). Na hora do almoço, pra abrandar meu coração, vou ficar só ouvindo os meus filhos: “pai, tal coisa assim assim?”, “o que acha disso, pai?”. Pai, isso. Pai, aquilo. Pai...E não vou me cansar de ouvir... “Pai”...
Preciso ouvir.
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sábado, 31 de julho de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
BIA E "BUMBUMPOU"
Aí um videozinho com direção de Marcinha e interpretação Biazinha. Arte final: Márcia. Maquiagem: Márcia. No finalzinho uma participação especial da Bebelzinha. Divirtam-se.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
ANIVERSÁRIOS (PRA VARIAR!)
Hoje é o aniversário do tio Inácio, que não gosta de ser chamado de Inácio e sim de Cardoso. Amanhã, 16 é do Felipe. Cadê as homenagens no Pirão dessa galerinha?
sexta-feira, 2 de julho de 2010
CEGONHA NA ÁREA!
sexta-feira, 11 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Um texto legal(tirado do blog da vovo Neuza)
Copiado (na íntegra) de um artigo da Rotogravura do Estado de São Paulo em meados dos anos 30 (grafia da época)
A Dactilographa - Figura do século
O famoso Keyserling que como tantas outras notabilidades mundiaes, fez tambem sua pequena “tourné” pela América do Sul diz, num dos seus mais suggestivos estudos, que cada civilização e cada época tem tido o seu typo especialmente representativo.
Nos tempos da Grécia heróica, esse typo foi o bardo, cantador de mythos e epopéas. Na Roma dominadora foi o César triumphante e dictador. Na Edade Média, o cavalleiro andante; na Renascença o artista;no século XVIII o pregador de doutrinas sociaes;no século XIX o burguês ennobrecido pelo comércio e pela indústria.
Nos nossos tempos, diz elle, é o conductor de machinas, sejam ellas a locomotiva, o avião ou o automóvel, O automóvel principalmente, que é a Machina que todos conhecem, sentem, querem e admiram, encerrando-se nella todo o significado da nossa cultura motorisada.
Keyserling terá razão talvez, para os que não passam da superficialidade das coisas. Para os que tem visão profunda, porém, não é o conductor das machinas de locomoção o typo especial da nossa era, como não é o automóvel a machina que ultimamente mais e melhor influe nos destinos humanos.
A grande figura do século XX, a real novidade que elle nos trouxe, é a Dactylographa, como dactylographa se entendendo não apenas a simples moça que bate os dedos num teclado de lettras, mas tambem a stenographa, a archivista, a contadora, a jornalista, a chefe de escriptorio, todas as mulheres, emfim, que penetram nos escriptorios a sombra amiga da “typewriter”.
Foi essa machina que deu ao elemento feminino o trabalho mental de qualidade. Foi ella que a investiu de um estatuto econômico novo, permitindo-lhe não só ter dinheiro, o que era simples acaso dos dotes e das heranças, mas também e principalmente “ganhar dinheiro”, o que é uma resultante do esforço e da capacidade próprios.
Antes da machina de escrever a mulher apenas podia pretender os mais rudimentares trabalhos de pura repetição, tarefas inferiores que constituem actividades meramente quantitativas, pondo-a em situação de menor ou de tutelada. Com a “typewriter”, porem, a mulher nivela-se ao homem na esphera da efficiencia mental. Nivela-se tanto e tão bem que em muitos casos chegou – e acima de tudo está chegando – a provocar uma completa alteração dos clássicos valores sexo-sociaes. Hoje uma dactylographa alcança, muitas vezes, ordenado bem superior ao de um dactylographo ou ao de qualquer outro empregado de escriptorio e nesses casos ficam fatalmente subvertidos os conceitos tradicionaes do amor. Perante o homem que produz, ella já não é mais uma simples consumidora e sim tambem uma productora, não raro melhor do que elle. Em frente do Patriarcha que tudo dava e tudo queria porque era o único a ganhar, ella pode agora erguer o seu voto econômico, pode falar no “meu dinheiro”, que ninguém lhe deu, mas sim ela própria ganhou.
Ninguém contesta, assim, que a mulher que ganha bem graças à machina de escrever, não mais olha para o homem que ganha menos ou egual com a mesma veneração submissa com que o fazia aquella para quem o casamento era a grande carreira, o Emprego Único. O homem perde deste modo, a sua superioridade econômica, a que menos a mulher discutia e impugnava, pois que elle deixou de ser a creatura única que ganhava e podia ganhar dinheiro. De agora em diante a mulher tem o estatuto econômico próprio, base de todas as independências, podendo –e querendo- ser ella tambem a Dona da Casa ou o Chefe da Família.
Tudo isto ella o deve à “typewriter”, a machininha que custa menos , muito menos do que o automóvel, o avião, e a locomotiva, nas quaes o piloto continua, realmente a ser o homem que guiava o cavallo ou que dirigia o coche, ao passo que com a “typewriter” a mulher tem uma arma que é uma alavanca. E que é uma escada, tambem, destruindo o desnível secular, criando um desnível novo, que traz no seu bojo a maior revolução da humanidade, porque está sendo a renovação operada no intercambio dos sexos.
A. R. Netto
A Dactilographa - Figura do século
O famoso Keyserling que como tantas outras notabilidades mundiaes, fez tambem sua pequena “tourné” pela América do Sul diz, num dos seus mais suggestivos estudos, que cada civilização e cada época tem tido o seu typo especialmente representativo.
Nos tempos da Grécia heróica, esse typo foi o bardo, cantador de mythos e epopéas. Na Roma dominadora foi o César triumphante e dictador. Na Edade Média, o cavalleiro andante; na Renascença o artista;no século XVIII o pregador de doutrinas sociaes;no século XIX o burguês ennobrecido pelo comércio e pela indústria.
Nos nossos tempos, diz elle, é o conductor de machinas, sejam ellas a locomotiva, o avião ou o automóvel, O automóvel principalmente, que é a Machina que todos conhecem, sentem, querem e admiram, encerrando-se nella todo o significado da nossa cultura motorisada.
Keyserling terá razão talvez, para os que não passam da superficialidade das coisas. Para os que tem visão profunda, porém, não é o conductor das machinas de locomoção o typo especial da nossa era, como não é o automóvel a machina que ultimamente mais e melhor influe nos destinos humanos.
A grande figura do século XX, a real novidade que elle nos trouxe, é a Dactylographa, como dactylographa se entendendo não apenas a simples moça que bate os dedos num teclado de lettras, mas tambem a stenographa, a archivista, a contadora, a jornalista, a chefe de escriptorio, todas as mulheres, emfim, que penetram nos escriptorios a sombra amiga da “typewriter”.
Foi essa machina que deu ao elemento feminino o trabalho mental de qualidade. Foi ella que a investiu de um estatuto econômico novo, permitindo-lhe não só ter dinheiro, o que era simples acaso dos dotes e das heranças, mas também e principalmente “ganhar dinheiro”, o que é uma resultante do esforço e da capacidade próprios.
Antes da machina de escrever a mulher apenas podia pretender os mais rudimentares trabalhos de pura repetição, tarefas inferiores que constituem actividades meramente quantitativas, pondo-a em situação de menor ou de tutelada. Com a “typewriter”, porem, a mulher nivela-se ao homem na esphera da efficiencia mental. Nivela-se tanto e tão bem que em muitos casos chegou – e acima de tudo está chegando – a provocar uma completa alteração dos clássicos valores sexo-sociaes. Hoje uma dactylographa alcança, muitas vezes, ordenado bem superior ao de um dactylographo ou ao de qualquer outro empregado de escriptorio e nesses casos ficam fatalmente subvertidos os conceitos tradicionaes do amor. Perante o homem que produz, ella já não é mais uma simples consumidora e sim tambem uma productora, não raro melhor do que elle. Em frente do Patriarcha que tudo dava e tudo queria porque era o único a ganhar, ella pode agora erguer o seu voto econômico, pode falar no “meu dinheiro”, que ninguém lhe deu, mas sim ela própria ganhou.
Ninguém contesta, assim, que a mulher que ganha bem graças à machina de escrever, não mais olha para o homem que ganha menos ou egual com a mesma veneração submissa com que o fazia aquella para quem o casamento era a grande carreira, o Emprego Único. O homem perde deste modo, a sua superioridade econômica, a que menos a mulher discutia e impugnava, pois que elle deixou de ser a creatura única que ganhava e podia ganhar dinheiro. De agora em diante a mulher tem o estatuto econômico próprio, base de todas as independências, podendo –e querendo- ser ella tambem a Dona da Casa ou o Chefe da Família.
Tudo isto ella o deve à “typewriter”, a machininha que custa menos , muito menos do que o automóvel, o avião, e a locomotiva, nas quaes o piloto continua, realmente a ser o homem que guiava o cavallo ou que dirigia o coche, ao passo que com a “typewriter” a mulher tem uma arma que é uma alavanca. E que é uma escada, tambem, destruindo o desnível secular, criando um desnível novo, que traz no seu bojo a maior revolução da humanidade, porque está sendo a renovação operada no intercambio dos sexos.
A. R. Netto
domingo, 30 de maio de 2010
MAIS ANIVERSÁRIO!
E não é que a Nen e o Guilherme estão fazendo aniversário hoje?
18 anos de CASAMENTO! Então tá todo mundo convidado a ir para a casa deles hoje para dar um grande abraço e comer um bolo gostosão feito pela famosa doceira confeiteira Márcia Rodrigues. O evento comemorativo tem início as 17 horas. Não faltem, queridos irmãos!
18 anos de CASAMENTO! Então tá todo mundo convidado a ir para a casa deles hoje para dar um grande abraço e comer um bolo gostosão feito pela famosa doceira confeiteira Márcia Rodrigues. O evento comemorativo tem início as 17 horas. Não faltem, queridos irmãos!
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