E não é que a Nen e o Guilherme estão fazendo aniversário hoje?
18 anos de CASAMENTO! Então tá todo mundo convidado a ir para a casa deles hoje para dar um grande abraço e comer um bolo gostosão feito pela famosa doceira confeiteira Márcia Rodrigues. O evento comemorativo tem início as 17 horas. Não faltem, queridos irmãos!
domingo, 30 de maio de 2010
sábado, 15 de maio de 2010
Mais aniversário!!!!
Parabens pro Jorge Edson hoje, dia 15 de maio. Não vou ficar aqui sendo mala falando que o cara tá mais velho só porque justamente nesse dia é o aniversário dele. Até porque todo dia, todos nós, sem exceção envelhecemos a cada hora que passa. Também não vou ficar falando "Velho nãããooo...ficou mais sábio". Basta um grande PARABÉNS PRÁ TUUUUU!!!!!
quarta-feira, 12 de maio de 2010
O MAIS VELHO ESTÁ MAIS VELHO HOJE!
Está completando mais um ano de vida nosso querido irmão mais velho, José Maria, costumeiramente chamado "Zé". Eu estava lembrando que quando a gente era fedelhinho o Inácio ficava enxendo o saco da gente com aquela homenagem que o Alecrim (antigo palhaço da TV Marajoara) fazia no seu programa para os aniversariantes: "As meninas Zé Maria e Jorge Edson hoje estão completando mais um aninho de vida!" Se eu já não gostava do tal palhaço, imagina como era ter que ficar aturando um tio pentelho achando-se o máximo... Mas, lembranças à parte, FELIZ ANIVERSÁRIO, VELHINHO!
sábado, 8 de maio de 2010
Crônica da semana -Raimundo Sodré
Mãe só tem uma
E a minha mãe é a melhor mãe do mundo. Tá legal, todo mundo tem a melhor mãe do mundo. Só que vou reivindicar este privilégio para mim, agora, tá. Conto já já, o porquê desta presunção.
Minha mãe tinha várias qualidades. Já contei algumas, neste espaço (e a que me vem assim, rapidola, só para relembrar, era a visão avançada das coisas. Uma virtude expressa numa das propagandas que ela mesma produzia e rodava na rádio cipó, para uma barraca de confecções que tínhamos na feira da Pedreira. Uma pérola que dizia assim: “Barraca Santa Luzia, confecções da mais fina estampa, elegância em fio de escócia, algodão, lycra. As novidades da moda feminina e artigos variados para o conforto das crianças e a boa pinta dos rapazes. Temos também, batonzinho da Avon, creme Shen e toda a linha de desodorantes da Cristhian Grey. Barraca Santa Luzia, em frente ao bazar Brasil”. Embora a gente alertasse que o reclame se excedia na divulgação dos produtos de multinacionais do cosmético e do afamado bazar Brasil, a mamãe nem ligava. “O negócio é a referência”, sustentava Luzia, altiva, enfática. Mais tarde, por causa da consagração de um comercial da empresa de aviação Cruzeiro do Sul, que ao final da propaganda colocava a musiquinha da concorrente (um tanran ran/ tanran ran/ tanran ran de poderosíssima pressão subliminar) deixando claro que o seu prédio ficava bem em frente ao escritório da ‘Varig Varig Varig’, é que fomos perceber que a mamãe estava coberta de razão.
Um outro traço marcante na mamãe era a perseverança, a busca incessante. Tenho vários exemplos. Posso citar um bem radical e ao mesmo tempo, espirituoso... Tínhamos também, o inevitável ‘crediário Santa Luzia’ e eu fazia as vezes de prestação. Vendia de porta em porta, ia pras cobranças e depois, tinha que me ver com a sabatina da mamãe:
- Sim, tu chegaste lá e aí...
- Eu disse: “a mamãe mandou dizer pro senhor mandar a encomenda dela”.
- E ele?
- Ele disse que não tinha naquela hora e que era pra eu passar pra semana.
- E tu?
- Eu falei: “a mamãe mandou dizer que é pro senhor fazer uma forcinha e pagar a prestação porque ela tá encalacrada”.
- E ele?
- Ele disse que não podia fazer nada e que não tava ajuntando dinheiro com gancho por aí, por isso eu tinha que ter paciência e voltar pra semana.
- E tu?
- Aí, eu disse pra ele que ia lá na Passagem do Arame, depois lá na Dr. Freitas. Voltava pela Marquês, depois ia ver o finzinho do jogo no campo do Asas e depois passava de novo pra ver se ele conseguia um ‘por conta’.
- E ele?
Bom, aí já viu, né. Se eu desse corda, o diálogo ‘e ele/e tu’, não acabava nunca. Eu até gostava. Segurava a conversa, porque exercitava a minha criatividade. O certo é que depois do segundo ‘e ele?’ eu ia inventando porque o pagamento já estava prometido pra semana mesmo, e não tinha jeito.
(Este é um mês terrível para mim. Perdi mamãe no dia seguinte ao meu aniversário, às vésperas do Dia das Mães, e logo depois de nos termos prometido amor eterno. Isso me dói. Me dói...Depois daquele tristíssimo 15 de maio de 1998, quando ia chegando o mês da mães, eu vinha ficando pra baixo, ensimesmado, escrevendo textos comovidos, doloridos. Mas hoje não. Hoje resolvi mostrar esta face extraordinariamente moderna, instigante, bem humorada de minha mãe. A melhor mãe do mundo por causa deste amor infindável -que nos prometemos- e que me sara e me cuida com ‘certeza e altivez’ e bom humor, como era o seu estilo. E isso, essa lembrança boa de minha mãe me conforta tanto que, olha só, dessa vez, nem chorei).
E a minha mãe é a melhor mãe do mundo. Tá legal, todo mundo tem a melhor mãe do mundo. Só que vou reivindicar este privilégio para mim, agora, tá. Conto já já, o porquê desta presunção.
Minha mãe tinha várias qualidades. Já contei algumas, neste espaço (e a que me vem assim, rapidola, só para relembrar, era a visão avançada das coisas. Uma virtude expressa numa das propagandas que ela mesma produzia e rodava na rádio cipó, para uma barraca de confecções que tínhamos na feira da Pedreira. Uma pérola que dizia assim: “Barraca Santa Luzia, confecções da mais fina estampa, elegância em fio de escócia, algodão, lycra. As novidades da moda feminina e artigos variados para o conforto das crianças e a boa pinta dos rapazes. Temos também, batonzinho da Avon, creme Shen e toda a linha de desodorantes da Cristhian Grey. Barraca Santa Luzia, em frente ao bazar Brasil”. Embora a gente alertasse que o reclame se excedia na divulgação dos produtos de multinacionais do cosmético e do afamado bazar Brasil, a mamãe nem ligava. “O negócio é a referência”, sustentava Luzia, altiva, enfática. Mais tarde, por causa da consagração de um comercial da empresa de aviação Cruzeiro do Sul, que ao final da propaganda colocava a musiquinha da concorrente (um tanran ran/ tanran ran/ tanran ran de poderosíssima pressão subliminar) deixando claro que o seu prédio ficava bem em frente ao escritório da ‘Varig Varig Varig’, é que fomos perceber que a mamãe estava coberta de razão.
Um outro traço marcante na mamãe era a perseverança, a busca incessante. Tenho vários exemplos. Posso citar um bem radical e ao mesmo tempo, espirituoso... Tínhamos também, o inevitável ‘crediário Santa Luzia’ e eu fazia as vezes de prestação. Vendia de porta em porta, ia pras cobranças e depois, tinha que me ver com a sabatina da mamãe:
- Sim, tu chegaste lá e aí...
- Eu disse: “a mamãe mandou dizer pro senhor mandar a encomenda dela”.
- E ele?
- Ele disse que não tinha naquela hora e que era pra eu passar pra semana.
- E tu?
- Eu falei: “a mamãe mandou dizer que é pro senhor fazer uma forcinha e pagar a prestação porque ela tá encalacrada”.
- E ele?
- Ele disse que não podia fazer nada e que não tava ajuntando dinheiro com gancho por aí, por isso eu tinha que ter paciência e voltar pra semana.
- E tu?
- Aí, eu disse pra ele que ia lá na Passagem do Arame, depois lá na Dr. Freitas. Voltava pela Marquês, depois ia ver o finzinho do jogo no campo do Asas e depois passava de novo pra ver se ele conseguia um ‘por conta’.
- E ele?
Bom, aí já viu, né. Se eu desse corda, o diálogo ‘e ele/e tu’, não acabava nunca. Eu até gostava. Segurava a conversa, porque exercitava a minha criatividade. O certo é que depois do segundo ‘e ele?’ eu ia inventando porque o pagamento já estava prometido pra semana mesmo, e não tinha jeito.
(Este é um mês terrível para mim. Perdi mamãe no dia seguinte ao meu aniversário, às vésperas do Dia das Mães, e logo depois de nos termos prometido amor eterno. Isso me dói. Me dói...Depois daquele tristíssimo 15 de maio de 1998, quando ia chegando o mês da mães, eu vinha ficando pra baixo, ensimesmado, escrevendo textos comovidos, doloridos. Mas hoje não. Hoje resolvi mostrar esta face extraordinariamente moderna, instigante, bem humorada de minha mãe. A melhor mãe do mundo por causa deste amor infindável -que nos prometemos- e que me sara e me cuida com ‘certeza e altivez’ e bom humor, como era o seu estilo. E isso, essa lembrança boa de minha mãe me conforta tanto que, olha só, dessa vez, nem chorei).
terça-feira, 4 de maio de 2010
Por falar em aniversário...
Dia 9 de maio também vai fazer 1 ano que surgiu na blogoesfera o Pirão de Feijão. Originalmente feito para fins nostálgicos, os quais foram atingidos, hoje ele está assim meio que apalpando novas idéias.
Mas daqui a pouco o Pirão se empina de novo e vai nos embuchar com bons momentos.
Mas daqui a pouco o Pirão se empina de novo e vai nos embuchar com bons momentos.
Parabéns pro Daniel
Hoje é dia dos parabéns do Daniel Dias, nosso caçulinha.
Muito juizo nessa cabeça rapaz.
(E não esquecendo, dia 9 é o da professora Fátima, 12 o meu e dia 15 o do professor Jorge [será que é todo mundo taurino?] ).
Muito juizo nessa cabeça rapaz.
(E não esquecendo, dia 9 é o da professora Fátima, 12 o meu e dia 15 o do professor Jorge [será que é todo mundo taurino?] ).
domingo, 2 de maio de 2010
sábado, 1 de maio de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Crônica Remix-Raimundo Sodré
É bom estar com vocês
Eu sempre fui um sujeito paciente. A minha relação com o tempo foi, constantemente, algo de obediente e respeitosa espera.
De uns anos pra cá, é que destrambelhei, adquiri uma cisma com o tempo. Inventei um tal estado de ‘cubo de gelo’.
O gelo, a gente sabe, não fica totalmente imerso na água (ou numa generosa dose de uísque como esta que está aqui na minha frente a me seduzir). Uma parte dele se sobressai e se expõe a brisa e a temperatura ambiente. A outra, a maior parte, mergulha para o silêncio líquido. Olhando ali para o copo de uísque, dá pra perceber que o gelo é mais substancialmente confinado, do que naturalmente livre. Ou seja, tá mais pra lá do que pra cá. Pois é, de uns tempos pra cá, me vi convencido da minha situação similar a do cubo de gelo. Depois dos quarenta, achei que tinha mais tempo para trás de mim, no passado (imerso nas líquidas lembranças) do que para frente. ‘Empinimei’ que não haveria mais a idéia do ‘longo prazo’. Admiti que o meu horizonte se encurtara e eu não podia esperar tanto, como antes. E a paciência, sem paciência nenhuma, foi fugindo de mim.
Aí, virei, mexi e pintei os canecos. Tudo numa pressa imponderável. Por essa época, fiz o vestibular para Geologia, comecei a estudar, fiz esforços sobre-humanos para ser um operário de verdade, e, numa direção radicalmente oposta ao chão da fábrica, comecei escrever a coluna Bom Dia, para O Liberal. As 24 horas do dia, então, é óbvio passaram a ser pouquinha coisa para mim. O tempo, o daqui pra frente, era para mim, uma coisa mínima, resfolegando, falindo. Precisando urgentemente ser reanimada. E nada mais sobre este tempo raquítico, falarei.
(Porque hoje, lendo sobre a história da Terra, me deparei com alguns toques que vararam o século 18 e me alertam sobre o caráter ilimitável do tempo. Sobre as propriedades inesgotáveis das eras, sobre a possibilidade física da eternidade).
Mas naquela época, havia a urgência, o perrique, o comichão e tanta pressa fez a minha intolerância bater de frente com uma muralha poderosa e destruidora. Me arrebentei todo. Parei de estudar, o trabalho não me foi mais possível, e a vida se perdeu na ‘sensaboria dos dias’.
A única coisa que me foi dada, o único prazer, a mim permitido, foi o ato de escrever. Continuei aqui na coluna, rompendo barreiras Reinterpretando o tempo.
(E que lenda bacana é essa que o historiador e jornalista holandês Hendrik Van Loon nos conta: “...Uma vez, a cada milênio, um passarinho vem a uma rocha para afiar seu bico. Quando a rocha tiver sido assim totalmente desgastada, então, um único dia da eternidade ter-se-á escoado”).
Hoje faz 3 anos* que escrevo aqui para a coluna Bom Dia. Desde março de 2006 estou aqui, rente-como-pão-quente, dividindo com os leitores as minhas dores, as minhas alegrias, as minhas ilusões e certezas (tudo temperado com uma pitadinha de mentira, né, porque o cronista, assim como o poeta, sabe-se, é um fingidor).
E escrevendo, vou exorcizando os meus diabinhos, vou reconstruindo conceitos sobre o gelo, sobre a rocha, sobre o passarinho...Vou me redimindo e, vez por outra, me sinto bem próximo, bem pertinho mesmo de aprender esta ou aquela lição (mas ainda tentando).
Eis então que dei uma desacelerada. Me inclino, agora, a entender que o tempo não geme nem convulsiona. O sol só vai se apagar daqui a uns 7 bilhões de anos e até lá, resistirão ainda rochas, passarinhos e euzinho aqui, rascunhando um futuro inesgotável (acho que quebrei o gelo e recuperei a minha paciência).
É bom estar com vocês aos sábados. E porque é bom, sei que temos tempo.
* a crônica é do ano passado
Eu sempre fui um sujeito paciente. A minha relação com o tempo foi, constantemente, algo de obediente e respeitosa espera.
De uns anos pra cá, é que destrambelhei, adquiri uma cisma com o tempo. Inventei um tal estado de ‘cubo de gelo’.
O gelo, a gente sabe, não fica totalmente imerso na água (ou numa generosa dose de uísque como esta que está aqui na minha frente a me seduzir). Uma parte dele se sobressai e se expõe a brisa e a temperatura ambiente. A outra, a maior parte, mergulha para o silêncio líquido. Olhando ali para o copo de uísque, dá pra perceber que o gelo é mais substancialmente confinado, do que naturalmente livre. Ou seja, tá mais pra lá do que pra cá. Pois é, de uns tempos pra cá, me vi convencido da minha situação similar a do cubo de gelo. Depois dos quarenta, achei que tinha mais tempo para trás de mim, no passado (imerso nas líquidas lembranças) do que para frente. ‘Empinimei’ que não haveria mais a idéia do ‘longo prazo’. Admiti que o meu horizonte se encurtara e eu não podia esperar tanto, como antes. E a paciência, sem paciência nenhuma, foi fugindo de mim.
Aí, virei, mexi e pintei os canecos. Tudo numa pressa imponderável. Por essa época, fiz o vestibular para Geologia, comecei a estudar, fiz esforços sobre-humanos para ser um operário de verdade, e, numa direção radicalmente oposta ao chão da fábrica, comecei escrever a coluna Bom Dia, para O Liberal. As 24 horas do dia, então, é óbvio passaram a ser pouquinha coisa para mim. O tempo, o daqui pra frente, era para mim, uma coisa mínima, resfolegando, falindo. Precisando urgentemente ser reanimada. E nada mais sobre este tempo raquítico, falarei.
(Porque hoje, lendo sobre a história da Terra, me deparei com alguns toques que vararam o século 18 e me alertam sobre o caráter ilimitável do tempo. Sobre as propriedades inesgotáveis das eras, sobre a possibilidade física da eternidade).
Mas naquela época, havia a urgência, o perrique, o comichão e tanta pressa fez a minha intolerância bater de frente com uma muralha poderosa e destruidora. Me arrebentei todo. Parei de estudar, o trabalho não me foi mais possível, e a vida se perdeu na ‘sensaboria dos dias’.
A única coisa que me foi dada, o único prazer, a mim permitido, foi o ato de escrever. Continuei aqui na coluna, rompendo barreiras Reinterpretando o tempo.
(E que lenda bacana é essa que o historiador e jornalista holandês Hendrik Van Loon nos conta: “...Uma vez, a cada milênio, um passarinho vem a uma rocha para afiar seu bico. Quando a rocha tiver sido assim totalmente desgastada, então, um único dia da eternidade ter-se-á escoado”).
Hoje faz 3 anos* que escrevo aqui para a coluna Bom Dia. Desde março de 2006 estou aqui, rente-como-pão-quente, dividindo com os leitores as minhas dores, as minhas alegrias, as minhas ilusões e certezas (tudo temperado com uma pitadinha de mentira, né, porque o cronista, assim como o poeta, sabe-se, é um fingidor).
E escrevendo, vou exorcizando os meus diabinhos, vou reconstruindo conceitos sobre o gelo, sobre a rocha, sobre o passarinho...Vou me redimindo e, vez por outra, me sinto bem próximo, bem pertinho mesmo de aprender esta ou aquela lição (mas ainda tentando).
Eis então que dei uma desacelerada. Me inclino, agora, a entender que o tempo não geme nem convulsiona. O sol só vai se apagar daqui a uns 7 bilhões de anos e até lá, resistirão ainda rochas, passarinhos e euzinho aqui, rascunhando um futuro inesgotável (acho que quebrei o gelo e recuperei a minha paciência).
É bom estar com vocês aos sábados. E porque é bom, sei que temos tempo.
* a crônica é do ano passado
quinta-feira, 22 de abril de 2010
ABRIL
Santo Sepulcro, abril insurreto
A noite, chama a voz apaixonada
Liberdade à tardinha...
Lavam os pés os condenados
Inconfidentes e conspirados
Inertes morrem no retábulo
E as incoerências e os ódios?
Drumond não responde, nem pergunta...
Abril vermelho, martírio
Sacrifício renovado na utopia
Comendo e bebendo o pão e o vinho
"Onde dentes eram tristes, outros solidão"
E incongruentes buscam a interseção
Alguém vai abir o sepulcro
E enterrar na terra em cinzas
A esperança que um dia saiu da caixa.
(Cássio de Andrade)
A noite, chama a voz apaixonada
Liberdade à tardinha...
Lavam os pés os condenados
Inconfidentes e conspirados
Inertes morrem no retábulo
E as incoerências e os ódios?
Drumond não responde, nem pergunta...
Abril vermelho, martírio
Sacrifício renovado na utopia
Comendo e bebendo o pão e o vinho
"Onde dentes eram tristes, outros solidão"
E incongruentes buscam a interseção
Alguém vai abir o sepulcro
E enterrar na terra em cinzas
A esperança que um dia saiu da caixa.
(Cássio de Andrade)
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Crônica remix-Raimundo Sodré
Borboleta, Lirismo e o UFPA-Pedreira
De 2004 pra cá, dei de estudar. Depois de 22 anos longe da escola (terminei o curso de Mineração na gloriosa Escola Técnica, em 1982), passei para Geologia, na Federal.
Uma nova situação, uma pegada que há muito eu não encarava: acordar cedo, dormir tarde, encarar os chiliquitos dos professores, partilhar inquietações com os meus jovens colegas, ter com a pesquisa, com o dever de casa...Ai, meu Deus, a prova na próxima semana! Com o trocadinho para o lanche no Ver-o-Pes’inho.
Soma-se agora, à minha lida diária, zelar para ser, daqui a alguns anos, um profissional que vai ‘cuidar das feridas da Terra’.
Uma batidinha rotineira que me revela a dor e a delícia de ser estudante. Principalmente a dor, quando tenho que andar de ônibus: é comum eu ser esculhambado por causa da meia-passagem. Acho que por causa de uns poucos, raríssimos cabelos brancos salteados entre o cabelo e a barba.
(E eu nem vou perder tempo dissertando sobre o direito que tenho sobre este benefício ou ratificando este direito com a minha participação nos movimentos pela conquista da meia-passagem na década de 1980 – eu estava lá na frente da casa do governador me batendo com a tropa de choque da PM naquela noite de outubro), somente para atenuar o drama, porque o certo, é o mau humor do cobrador quando apresento a minha careta na carteirinha da CTBEL.
Vou considerar, então, que a marcação não é só comigo. Uns quantos estudantes passam aperreios nas mãos dos cobradores, todo santo dia.
Mas taí, dia desses, deparei com as delícias. Acostumado com uns balbucios enfezados que imagino (não procuro discerni-los) do tipo “Pô, tamanho um velho e pagando meia!” ou “vai te aquietar, velho, vai tirar a gratuidade!”, dia desses, tive uma surpresa, no UFPA-Pedreira. Ao mostrar a minha carteirinha, fui recepcionado com o grunhido de sempre. E como sempre, pequei as moedinhas do troco e passei com mais de mil pela roleta sem dar trela pr’aquele ciscado. Eis, então, que, sentado ali, ao pegado da cadeira do cobrador, fui pouco a pouco, decifrando aquele zunido.
Ele dizia “bom dia, bom dia”. A cada um que, como eu, passava apressado pela borboleta. “Bom dia”. Sem discriminar ninguém. “Bom dia”. Todos eram afagados com o cumprimento matinal do cobrador. “Bom dia”. Só que ninguém percebia isso. Diluíam-se todos no interior do ônibus com a falsa lembrança do costumeiro esculacho. Mas ele, insistente (e acho até que consciente de sua inverossimilhança) “Bom dia!” ao trabalhador, a dona de casa, ao estudante...Legal, né?
Mas a verdade é que senti, no cobrador, um certo constrangimento (expresso no estribilho reprimido) como se estivesse subvertendo uma severa ordem. Enquanto que dos passageiros, me chegava o ar de pesada submissão: cicatrizes incuráveis de nossos dias. Pobres de nós tão familiarizados com a barbárie urbana, olha lá, quando de uma horinha abençoada como essa, passamos batido.
E lembrei de uma outra subversão de há alguns anos, no Pedreira-Nazaré. Havia por lá, um cobrador dado à poesia. Fazia as trovas e as espalhava pelos quatro cantos. Quando a gente entrava no ônibus e dava com os versos, o clima já ganhava uma leveza, uma paz. A cena apelava para a reverência quando ao final de cada quadrinha, a gente chegava ao subscrito “assinado, o cobrador”. E de pronto, a gente ligava o autor a obra. Ele, exibindo sempre um sorriso livre, sem culpas.
Esse, não durou muito. Depois de um tempo, sumiu das linhas de ônibus de Belém. Perturbou a ordem com seu lirismo. Uma pena, uma pena!
De 2004 pra cá, dei de estudar. Depois de 22 anos longe da escola (terminei o curso de Mineração na gloriosa Escola Técnica, em 1982), passei para Geologia, na Federal.
Uma nova situação, uma pegada que há muito eu não encarava: acordar cedo, dormir tarde, encarar os chiliquitos dos professores, partilhar inquietações com os meus jovens colegas, ter com a pesquisa, com o dever de casa...Ai, meu Deus, a prova na próxima semana! Com o trocadinho para o lanche no Ver-o-Pes’inho.
Soma-se agora, à minha lida diária, zelar para ser, daqui a alguns anos, um profissional que vai ‘cuidar das feridas da Terra’.
Uma batidinha rotineira que me revela a dor e a delícia de ser estudante. Principalmente a dor, quando tenho que andar de ônibus: é comum eu ser esculhambado por causa da meia-passagem. Acho que por causa de uns poucos, raríssimos cabelos brancos salteados entre o cabelo e a barba.
(E eu nem vou perder tempo dissertando sobre o direito que tenho sobre este benefício ou ratificando este direito com a minha participação nos movimentos pela conquista da meia-passagem na década de 1980 – eu estava lá na frente da casa do governador me batendo com a tropa de choque da PM naquela noite de outubro), somente para atenuar o drama, porque o certo, é o mau humor do cobrador quando apresento a minha careta na carteirinha da CTBEL.
Vou considerar, então, que a marcação não é só comigo. Uns quantos estudantes passam aperreios nas mãos dos cobradores, todo santo dia.
Mas taí, dia desses, deparei com as delícias. Acostumado com uns balbucios enfezados que imagino (não procuro discerni-los) do tipo “Pô, tamanho um velho e pagando meia!” ou “vai te aquietar, velho, vai tirar a gratuidade!”, dia desses, tive uma surpresa, no UFPA-Pedreira. Ao mostrar a minha carteirinha, fui recepcionado com o grunhido de sempre. E como sempre, pequei as moedinhas do troco e passei com mais de mil pela roleta sem dar trela pr’aquele ciscado. Eis, então, que, sentado ali, ao pegado da cadeira do cobrador, fui pouco a pouco, decifrando aquele zunido.
Ele dizia “bom dia, bom dia”. A cada um que, como eu, passava apressado pela borboleta. “Bom dia”. Sem discriminar ninguém. “Bom dia”. Todos eram afagados com o cumprimento matinal do cobrador. “Bom dia”. Só que ninguém percebia isso. Diluíam-se todos no interior do ônibus com a falsa lembrança do costumeiro esculacho. Mas ele, insistente (e acho até que consciente de sua inverossimilhança) “Bom dia!” ao trabalhador, a dona de casa, ao estudante...Legal, né?
Mas a verdade é que senti, no cobrador, um certo constrangimento (expresso no estribilho reprimido) como se estivesse subvertendo uma severa ordem. Enquanto que dos passageiros, me chegava o ar de pesada submissão: cicatrizes incuráveis de nossos dias. Pobres de nós tão familiarizados com a barbárie urbana, olha lá, quando de uma horinha abençoada como essa, passamos batido.
E lembrei de uma outra subversão de há alguns anos, no Pedreira-Nazaré. Havia por lá, um cobrador dado à poesia. Fazia as trovas e as espalhava pelos quatro cantos. Quando a gente entrava no ônibus e dava com os versos, o clima já ganhava uma leveza, uma paz. A cena apelava para a reverência quando ao final de cada quadrinha, a gente chegava ao subscrito “assinado, o cobrador”. E de pronto, a gente ligava o autor a obra. Ele, exibindo sempre um sorriso livre, sem culpas.
Esse, não durou muito. Depois de um tempo, sumiu das linhas de ônibus de Belém. Perturbou a ordem com seu lirismo. Uma pena, uma pena!
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