Tem uns powerpoints que a gente recebe por e-mail falando de tudo. Tem aqueles que vem com fotos de flores, de bebês, de gatinhos, de cãezinhos, de mulher pelada, de poesias, de anos 70, de anos 80, de carros antigos, de correntes, de anjinhos, de tudo quanto é espécie animal, mineral e vegetal.
Mas tem uns que são de rachar! Tô falando daqueles que, se avizinhando o período das eleições, querem propagar na rede uma imagem negativa da candidata do PT à presidência.
São uns conteúdos cheios de ódio creditando todo tipo de ação inescrupulosa à pessoa da aspirante.
Tudo bem se alguém envia um texto denunciando isso e aquilo, porém , que mostre a fonte, mostre o contexto da notícia.
Engraçado que eu não recebo nada contra os outros candidatos.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
SARAMAGO.
O Artur Dilmar uma vez me mostrou um livro do Saramago. Era o "Todos os nomes".Gostei muito da trama e principalmente o texto apurado na lingua de Camões. Depois li alguns outros. Entre os quais o famoso "Ensaio sobre a cegueira" e "Memorial do convento", recentemente.
Teve um, pequenino que passei a vista, "As pequenas memórias", de onde selecionei uma pequena parte:
Protopoema
Do novelo emaranhado da memória da escuridão dos nós cegos, puxo um fio que me parece solto
Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os dedos.
É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limo, e tem a macieza quente do lodo vivo.
é um rio.
Corre-me nas mãos, agora molhadas.
Teve um, pequenino que passei a vista, "As pequenas memórias", de onde selecionei uma pequena parte:
Protopoema
Do novelo emaranhado da memória da escuridão dos nós cegos, puxo um fio que me parece solto
Devagar o liberto, de medo que se desfaça entre os dedos.
É um fio longo, verde e azul, com cheiro de limo, e tem a macieza quente do lodo vivo.
é um rio.
Corre-me nas mãos, agora molhadas.
sábado, 18 de setembro de 2010
SEMANA DA PÁTRIA (PARTE 2)
Era a Semana de shows das bandas marciais das escolas de Belém no campo do Remo. Naquela manhã, muitas escolas de Belém já haviam se apresentado e o show continuaria pela parte da tarde. Muitos estudantes formavam torcidas organizadas, claro, para darem apoio moral às bandas. O problema é que daí para os confrontos entre torcidas era um passo só.
Como já era comum, nos idos da década de 70 (século passado), havia uma rixa entre o
'Paes de Carvalho" e o "Augusto Meira". Isso toda a Belém sabia. A mamãe só me deixou ir ao "estádio" depois de eu assinar 50 vias de papel me comprometendo a não me meter em confusão, senão.... vocês já sabem o que aconteceria. O papai nem sonhava que eu estava lá, no meio da "galera" torcendo pelo colégio.
Então, saindo do campo do Remo, eu devidamente desidentificado, isto é, sem uniforme do colégio, comecei a ver alguns pequenos confrontos entre alguns alunos de colégios distintos. Aquilo já começou a me deixar preocupado. Mas, como eu estivesse neutro nessa história toda, não sofri nenhuma tentativa de agressão por parte de nenhum colégio arqui-inimigo do "Paes de Carvalho". Até hoje não entendo como é que o colégio inspirava tanto ódio em outros alunos.
Pois bem, eu descia a pé, juntamente com a minha torcida organizada, quando o grupo resolveu passar em frente do colégio Augusto Meira. A cena que agora passo a relatar ficou gravada na minha memória como fica marcada numa camisa branca a mancha do açaí... Vi de repente o grupo se desfazer em vários elementos desordenados correndo para as mais variadas direções. Gritos de desespero de pessoas que estavam nas paradas de ônibus, misturados a uma pancadaria selvagem entre os estudantes que se embolavam nas calçadas; mulheres com crianças no colo correndo desesperadas... E eu ali, mais perdido que cego em tiroteio. Foi quando o grupo ao qual eu estava ainda coeso se abriu de vez me deixando sem saber o que estava acontecendo. Olhei para o alto. Próximo das copas de mangueiras situadas naquele perímetro do colégio, vi de dois a três "braços" de carteira , girando no ar, como se fossem aviões de ataque kamikasis, um ao lado do outro. Giravam flutuando perigosamente em direção das cabeças inocentes. Pedestres, alunos e outras pessoas que por ali estavam naquela hora corremos para o outro lado da rua. Havia uma entrada para uma vila. Desesperadas, as pessoas se "danaram" a entrar nas residências próximas para conseguir abrigo diante de tamanha sandice. Os moradores trancavam suas portas e janelas desesperados, sem saber o que era tudo aquilo na vila. Não entrei nas casas, mas corri com um grupo de colegas para a tal vila. A desgraça da vila não tinha saída!!! Ficamos num beco sem saída, literalmente! Desesperados, corríamos desnorteados enquanto a batalha continuava a se dar entre o fim da vila e as paredes das casas... Como eu estivesse de camisa branca, ninguém sabia de que "facção" eu era. Escapei de fininho da vila, sem um arranhão. Corri para a avenida Magalhães Barata, que naquela época dava sentido para o centro, peguei o ônibus Batista Campos e pude descansar aliviado, deixando para trás o campo de batalha. Naquela altura do campeonato, as pessoas dentro do ônibus comentavam a falta de educação dos alunos. Eu só fazia ouvir o blá-blá-blá maledicente.
Próximo a igreja de Nazaré, lá estava uma parte da minha torcida caminhando na rua e alegremente cantando despreocupados fazendo muito barulho. Um convite para eu descer do ônibus e me juntar aquela gostosa e "inocente" algazarra de adolescentes... Foi a minha desgraça! Diz-se que "urubu quando está de azar, o de baixo caga no de cima". Quando eu me imaginava feliz e lampreiro no meio da minha "patota", todo feliz por fazer parte do grupo da torcida do melhor colégio da cidade, eis que chegam quatro viaturas da Polícia e nos fecham em cerco! "P... QUE PARIU!!!" Foi o que ouvi naquele momento. Um camburão se abriu na minha cara e não sei quantos PMs vestidos de verde-oliva avançaram de cacetetes ameaçadores e luvas brancas na nossa direção. Os meus colegas gritavam para que ninguém entrasse em pânico porque o diálogo é a melhor arma... Bem, nunca fui muito de acreditar nessa tal filosofia do diálogo, não é mesmo? Afinal, era o período da ditadura militar e quando você se encontra prestes a cair nas mãos do pelotão de choque da polícia, a primeira coisa que se pensa é: PERNAS PRA QUÊ TE QUERO... Outra vez, como mancha de açai em camisa branca, aquela cena desesperadora ficou impressa na minha memória. Vários colegas sendo "engravatados" pelos PMs, lindas colegas sendo arrastadas para dentro dos camburões, as pessoas nos olhando e xingando, os gritos de "CORRE! CORRE!" misturados aos chutes e golpes de imoblização despejados pelos PMs sobre meus colegas.... Minha nossa! Pensei, se o papai fosse me buscar na delegacia, aí sim eu seria um reles arremedo de moleque Dias.
Nestas situações de desespero, dizem os especialistas, a adrenalina atinge níveis altíssimos capazes de fazer uma pessoa comum erguer sozinha um carro de algumas toneladas... Pois bem, eu era magrela, amarelão e baixinho (ainda continuo baixinho, só que agora mais gordinho, fofinho e bonitão)e de repente minhas pernas me alçaram em um vôo que nem eu sei como consegui, me levando para trás da igreja de Nazaré, a 14 de março.
Enquanto a PM se fartava no meio da torcida, eu descia a ladeira da 14 de março acompanhado por alguns colegas e policiais em perseguição. Minhas passadas atingiram marcas recordes comparáveis as dos atletas em corridas de 100 metros. Nunca imaginei que eu pudesse voar com as pernas...
Hoje eu devo essa ao velho e bom Zé Dias que um dia me botou para praticar corrida no ginásio de educação física, por intermédio de uma sua prima que era professora de educação física (madrinha do Zé Maria). Ter aprendido um pouco de técnica de corrida me ajudou e muito naquela conturbada manhã de setembro... Escapei, milagrosamente, de duas surras: a dos PMs e uma que seria talvez a mais pior de todas, a do velho Zé Dias... Quem quiser que conte outra.
Como já era comum, nos idos da década de 70 (século passado), havia uma rixa entre o
'Paes de Carvalho" e o "Augusto Meira". Isso toda a Belém sabia. A mamãe só me deixou ir ao "estádio" depois de eu assinar 50 vias de papel me comprometendo a não me meter em confusão, senão.... vocês já sabem o que aconteceria. O papai nem sonhava que eu estava lá, no meio da "galera" torcendo pelo colégio.
Então, saindo do campo do Remo, eu devidamente desidentificado, isto é, sem uniforme do colégio, comecei a ver alguns pequenos confrontos entre alguns alunos de colégios distintos. Aquilo já começou a me deixar preocupado. Mas, como eu estivesse neutro nessa história toda, não sofri nenhuma tentativa de agressão por parte de nenhum colégio arqui-inimigo do "Paes de Carvalho". Até hoje não entendo como é que o colégio inspirava tanto ódio em outros alunos.
Pois bem, eu descia a pé, juntamente com a minha torcida organizada, quando o grupo resolveu passar em frente do colégio Augusto Meira. A cena que agora passo a relatar ficou gravada na minha memória como fica marcada numa camisa branca a mancha do açaí... Vi de repente o grupo se desfazer em vários elementos desordenados correndo para as mais variadas direções. Gritos de desespero de pessoas que estavam nas paradas de ônibus, misturados a uma pancadaria selvagem entre os estudantes que se embolavam nas calçadas; mulheres com crianças no colo correndo desesperadas... E eu ali, mais perdido que cego em tiroteio. Foi quando o grupo ao qual eu estava ainda coeso se abriu de vez me deixando sem saber o que estava acontecendo. Olhei para o alto. Próximo das copas de mangueiras situadas naquele perímetro do colégio, vi de dois a três "braços" de carteira , girando no ar, como se fossem aviões de ataque kamikasis, um ao lado do outro. Giravam flutuando perigosamente em direção das cabeças inocentes. Pedestres, alunos e outras pessoas que por ali estavam naquela hora corremos para o outro lado da rua. Havia uma entrada para uma vila. Desesperadas, as pessoas se "danaram" a entrar nas residências próximas para conseguir abrigo diante de tamanha sandice. Os moradores trancavam suas portas e janelas desesperados, sem saber o que era tudo aquilo na vila. Não entrei nas casas, mas corri com um grupo de colegas para a tal vila. A desgraça da vila não tinha saída!!! Ficamos num beco sem saída, literalmente! Desesperados, corríamos desnorteados enquanto a batalha continuava a se dar entre o fim da vila e as paredes das casas... Como eu estivesse de camisa branca, ninguém sabia de que "facção" eu era. Escapei de fininho da vila, sem um arranhão. Corri para a avenida Magalhães Barata, que naquela época dava sentido para o centro, peguei o ônibus Batista Campos e pude descansar aliviado, deixando para trás o campo de batalha. Naquela altura do campeonato, as pessoas dentro do ônibus comentavam a falta de educação dos alunos. Eu só fazia ouvir o blá-blá-blá maledicente.
Próximo a igreja de Nazaré, lá estava uma parte da minha torcida caminhando na rua e alegremente cantando despreocupados fazendo muito barulho. Um convite para eu descer do ônibus e me juntar aquela gostosa e "inocente" algazarra de adolescentes... Foi a minha desgraça! Diz-se que "urubu quando está de azar, o de baixo caga no de cima". Quando eu me imaginava feliz e lampreiro no meio da minha "patota", todo feliz por fazer parte do grupo da torcida do melhor colégio da cidade, eis que chegam quatro viaturas da Polícia e nos fecham em cerco! "P... QUE PARIU!!!" Foi o que ouvi naquele momento. Um camburão se abriu na minha cara e não sei quantos PMs vestidos de verde-oliva avançaram de cacetetes ameaçadores e luvas brancas na nossa direção. Os meus colegas gritavam para que ninguém entrasse em pânico porque o diálogo é a melhor arma... Bem, nunca fui muito de acreditar nessa tal filosofia do diálogo, não é mesmo? Afinal, era o período da ditadura militar e quando você se encontra prestes a cair nas mãos do pelotão de choque da polícia, a primeira coisa que se pensa é: PERNAS PRA QUÊ TE QUERO... Outra vez, como mancha de açai em camisa branca, aquela cena desesperadora ficou impressa na minha memória. Vários colegas sendo "engravatados" pelos PMs, lindas colegas sendo arrastadas para dentro dos camburões, as pessoas nos olhando e xingando, os gritos de "CORRE! CORRE!" misturados aos chutes e golpes de imoblização despejados pelos PMs sobre meus colegas.... Minha nossa! Pensei, se o papai fosse me buscar na delegacia, aí sim eu seria um reles arremedo de moleque Dias.
Nestas situações de desespero, dizem os especialistas, a adrenalina atinge níveis altíssimos capazes de fazer uma pessoa comum erguer sozinha um carro de algumas toneladas... Pois bem, eu era magrela, amarelão e baixinho (ainda continuo baixinho, só que agora mais gordinho, fofinho e bonitão)e de repente minhas pernas me alçaram em um vôo que nem eu sei como consegui, me levando para trás da igreja de Nazaré, a 14 de março.
Enquanto a PM se fartava no meio da torcida, eu descia a ladeira da 14 de março acompanhado por alguns colegas e policiais em perseguição. Minhas passadas atingiram marcas recordes comparáveis as dos atletas em corridas de 100 metros. Nunca imaginei que eu pudesse voar com as pernas...
Hoje eu devo essa ao velho e bom Zé Dias que um dia me botou para praticar corrida no ginásio de educação física, por intermédio de uma sua prima que era professora de educação física (madrinha do Zé Maria). Ter aprendido um pouco de técnica de corrida me ajudou e muito naquela conturbada manhã de setembro... Escapei, milagrosamente, de duas surras: a dos PMs e uma que seria talvez a mais pior de todas, a do velho Zé Dias... Quem quiser que conte outra.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
"SEU" ZÉ DIAS E A SEMANA DA PÁTRIA
Estamos iniciando o mês de Setembro. Manhãs de esplendoroso céu azul e forte temperatura. Manhãs de uma década de 70 (século passado) e eu, lá na oficina da Pariquis, ouvindo os hinos e marchas daquele disco que todo ano tinha que se fazer ouvido. Era hino da Marinha ("Qual cisne branco que em noite de lua, vai navegando no mar azul.."), hino nacional, da bandeira, do exército, da independência e outros que não lembro mais os nomes...
Fui criado sob a empolgação do velho Zé Dias e de seu apoio incondicional aos militares no governo. Fui influenciado, como todo filho que se preza, pelas palavras de patriotismo e civismo que eram proferidas pelo nosso pai, sempre que iniciava-se o mês de Setembro. As mangas maduras balançando ao vento, davam àquele pedaçinho de Batista Campos um ar de feriado prolongado e a certeza de não pisar na escola tão cedo. Eu pedia autorização para ir até a Serzedelo Correa ver o desfile militar que acontecia iniciando na praça da República e entrava pela Gentil Bitencourt. Eu queria ser um piloto da Força Aérea. Eu via, empolgado, o desfile de toda a portentosa força nacional, guardiã de nossa pátria querida. Eu via a ordem, a execução dos passos cadenciados, ouvia o grito firme dos soldados, que encantava as garotas que também assistiam e davam gritinhos histéricos por cada soldado garboso... Eu queria a vida militar para mim. Acreditei que aquela era a melhor das profissões a ser seguida e que orgulharia o velho Zé Dias. Eu recordo que nessa época havia os vendedores de bandeirinhas do Brasil, do Pará, de cataventos coloridos, sorveteiros, pipoqueiros e outros ambulantes naquele tempo, disputando um troquinho naquele pedaço de B. Campos.
Voltava empolgado para a oficina e papai já devia ter rodado o mesmo disco pela centésima vez. As pessoas passavam na porta da oficina e elogiavam o gosto e atitude cívica do papai. Acho que elas não podiam criticar os militares mesmo.
Mas uma coisa que um dia me chamou a atenção num dos inúmeros desfiles que eu vi, foi a de um rapaz sendo arrastado por soldados. Os soldados com aqueles braceletes e capacetes brancos seguravam o adoleceste puxando um dos braços para trás arqueando sua coluna - devia tá doendo muito aquela posição - enquanto algumas pessoas gritavam que ele era um "subversivo". Não sei ao certo o que ele fez, eu não vi. Mas as coisas começavam a mudar um pouco em meus sonhos militares... Criança, não podia entender o que havia de errado naquela situação. Muito mais tarde as vendas caíram de meus olhos permitindo ver melhor o verdadeiro desfile.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Orações
Essa vela aqui, é a mesma que eu coloquei quando o nosso sobrinho Rodrigo passou por maus momentos, mas superou.
Agora eu a acendo pela minha cunhada, a Regina, que vai passar por uma cirurgia delicada.
Peço a todos que mandem muita força positiva prá que ela possa pular essa fogueira e voltar prá familia commuita saúde.
Agora eu a acendo pela minha cunhada, a Regina, que vai passar por uma cirurgia delicada.
Peço a todos que mandem muita força positiva prá que ela possa pular essa fogueira e voltar prá familia commuita saúde.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Amar é…
Por Cássio Andrade
Quando criança, procurava aprender o que era amar, vendo os bonequinhos do “amar é…” com suas frases de efeito sobre o amor recheado por uma filosofia simples quase de auto-ajuda. Pareciam receitas na confeitaria do afeto.
Também fui ensinado a amar meus pais. Em minha infância, ainda se chegou a seguir a velha fórmula: papai no bolso, mamãe no coração. Quanta distância entre o bolso e o coração! À mãe, a ternura, o carinho, o afeto; ao pai, o trabalho, a autoridade, nenhum doce predileto. Minha geração precisou mudar esse receituário.
Ainda bem que aprendemos a amar nossos pais, como se não houvesse amanhã, da forma como alguém, já do outro lado, nos ajudou a amar as pessoas. Que país poderíamos nos tornar se continuássemos a amar do velho jeito?
Nesse dia dos pais, peço licença para, em nome do amor radical e sem fronteiras, render homenagem a meu filho. Na verdade, agradecê-lo por me fazer pai; por obrigar a revelar o rosto materno da paternidade.
Confesso que tentei projetar um caminho diferente a meu filho: jogar bola, levar ao campo, falar das minas, impor-lhe um clube para o qual torcer, essas coisas que usalmente fazem os pais aos filhos varões. A vida me fez abortar esse filho projetado e mudar o enredo dessa história. Ainda bem, pois aprendi a sair da óbvia condição de pai.
Pequenino, com meu filho fiz coisas que o monopólio das mães e avós não permitem ao pai. Troquei fraldas, limpei cocô, dei chuca e embalei na cadeira para fazer dormir. Até coloquei fio na testa para acabar com o soluço. Rompi os tabus da maternidade, às vezes sobre o desaprovo tácito da mãe. Ah, como é bom ser pai e mãe!
Obrigado, meu filho, por continuar a te amar sem condições. A continuar a vê-lo dormir com o rosto eterno da inocência. Diante das incertezas da juventude atual, tenho a feliz certeza de que sempre serás inocente, diante de um mundo mal, descrente e decadente; imundo mundo pós-moderno.
Amar é se tornar irmão, em sendo pai… Feliz dia com os filhos, nesse dia de pai!
Quando criança, procurava aprender o que era amar, vendo os bonequinhos do “amar é…” com suas frases de efeito sobre o amor recheado por uma filosofia simples quase de auto-ajuda. Pareciam receitas na confeitaria do afeto.
Também fui ensinado a amar meus pais. Em minha infância, ainda se chegou a seguir a velha fórmula: papai no bolso, mamãe no coração. Quanta distância entre o bolso e o coração! À mãe, a ternura, o carinho, o afeto; ao pai, o trabalho, a autoridade, nenhum doce predileto. Minha geração precisou mudar esse receituário.
Ainda bem que aprendemos a amar nossos pais, como se não houvesse amanhã, da forma como alguém, já do outro lado, nos ajudou a amar as pessoas. Que país poderíamos nos tornar se continuássemos a amar do velho jeito?
Nesse dia dos pais, peço licença para, em nome do amor radical e sem fronteiras, render homenagem a meu filho. Na verdade, agradecê-lo por me fazer pai; por obrigar a revelar o rosto materno da paternidade.
Confesso que tentei projetar um caminho diferente a meu filho: jogar bola, levar ao campo, falar das minas, impor-lhe um clube para o qual torcer, essas coisas que usalmente fazem os pais aos filhos varões. A vida me fez abortar esse filho projetado e mudar o enredo dessa história. Ainda bem, pois aprendi a sair da óbvia condição de pai.
Pequenino, com meu filho fiz coisas que o monopólio das mães e avós não permitem ao pai. Troquei fraldas, limpei cocô, dei chuca e embalei na cadeira para fazer dormir. Até coloquei fio na testa para acabar com o soluço. Rompi os tabus da maternidade, às vezes sobre o desaprovo tácito da mãe. Ah, como é bom ser pai e mãe!
Obrigado, meu filho, por continuar a te amar sem condições. A continuar a vê-lo dormir com o rosto eterno da inocência. Diante das incertezas da juventude atual, tenho a feliz certeza de que sempre serás inocente, diante de um mundo mal, descrente e decadente; imundo mundo pós-moderno.
Amar é se tornar irmão, em sendo pai… Feliz dia com os filhos, nesse dia de pai!
O mistério das "Tapauéres"
Ontem, domingo dia dos pais, a gente andando pelas ruas da periferia, podíamos ver a movimentação das familias reunidas. O som ligado, os copos cheios, o churrasco correndo, a farofa, a salada crua, de maionese, arroz com galinha, as lasanhas, vatapas, maniçobas, feijoadas e pra fechar, o doce sabor dos cremes de cupuaçu, abacaxi, bacuri, pavês diversos, açai com tapioca.
Lá pelas 4 da tarde, todo mundo de bucho cheio ( que nessas alturas ninguém está "satisfeito"), triste, é hora dos filhos, genros e noras voltarem para suas respectivas casas. Na despedida, o indefectivel hábito de arrumar as vasilinhas com um pouquinho de cada comida devorada durante a reunião. Junta feijoada com uns pedaços de frango assado, bolo de chocolate com uma macarronada e assim vai, conforme o saldo das panelas.
Não se sabe de onde aparecem as "tapauéres". São tantas entre outras improvisadas com embalagens diversas, como as de sorvete Kibom, potinho de margarina e outras mais. Chegando em casa lava e guarda. Dai nova reunião e o ciclo reinicia. A vasilinha que eu já peguei da mamãe com tapioquinha, levei prá casa, e numa próxima situação, lá vai ela com mingau prá casa de outro ente querido e assim sucessivamente...
O enigma que fica é: Por quais caminhos andam, nessas alturas, esses tapperwares todos ?
Lá pelas 4 da tarde, todo mundo de bucho cheio ( que nessas alturas ninguém está "satisfeito"), triste, é hora dos filhos, genros e noras voltarem para suas respectivas casas. Na despedida, o indefectivel hábito de arrumar as vasilinhas com um pouquinho de cada comida devorada durante a reunião. Junta feijoada com uns pedaços de frango assado, bolo de chocolate com uma macarronada e assim vai, conforme o saldo das panelas.
Não se sabe de onde aparecem as "tapauéres". São tantas entre outras improvisadas com embalagens diversas, como as de sorvete Kibom, potinho de margarina e outras mais. Chegando em casa lava e guarda. Dai nova reunião e o ciclo reinicia. A vasilinha que eu já peguei da mamãe com tapioquinha, levei prá casa, e numa próxima situação, lá vai ela com mingau prá casa de outro ente querido e assim sucessivamente...
O enigma que fica é: Por quais caminhos andam, nessas alturas, esses tapperwares todos ?
sábado, 7 de agosto de 2010
Feliz dia dos pais prá todos
Manoel, o audaz
Raimundo Sodré
Há alguns anos, lá na Praça da República eu vi o Delcley Machado tocando a música “Manuel, o Audaz”, do compositor mineiro Toninho Horta. Fiquei impressionado com aquela apresentação. Primeiro porque o show era ao ar livre e, já sabe né, com direito àquelas limitações de infra que a gente conhece quando o poder público se anima para ofertar um issozinho de bom para o povo. Mas olha só, benza Deus este menino Delcley. Ele foi primoroso, impecável na interpretação. Tocou com uma sensibilidade, com uma entrega. Mergulhou na melodia e nos apresentou alguma coisa que eu acho ser um pedacinho do céu. (E para não ser injusto na lembrança, acompanhando a encantadora guitarra e juncando de flores os solos fenomenais do Delcley, naquele dia, estava uma galera feríssima da música instrumental paraense).
Além do talento dos músicos que se doavam à pura arte, ali no anfiteatro da Praça, a melodia deixou marcas. Eu já conhecia outras versões, inclusive enriquecida com um belo poema, na voz do próprio Toninho Horta, mas naquele dia, a música daquele jeito (só tocada e com aquela harmonia mágica do Delcley), me veio com um calor especial. Calor de pai. Bateu, sabe. Fez tóim óim óim aqui dentro da minha caixola. Liguei o Manuel audaz da canção, ao Manoel meu pai, lá do Xapuri.
Sei pouco sobre ele. Parte do que sei de meu pai é o que minha mãe contava quando eu era pequeno. Depois que cresci, procurei saber mais. Fiz duas viagens ao Xapuri. Na última delas, passei cinco dias no seringal em que nasci e acabei participando da rotina do campo (querendo ser audaz), acordando cedo, espalhando ração pelo terreiro, chamando os bichos pra comer: thu thu thu thu thu (e vinha pato, pintinho, galinha, até porco, cabrito, bode apareciam no quintal atrás dum petisco). Experimentei o desjejum do seringueiro montado com carnes, caldos e o que mais desse ‘sustança’. Fui pra lida. Pilei arroz, tirei mourão, colhi o milho (e sabia que isso, esse usufruto de uma rocinha, um carvão aqui, uma casa de farinha acolá, esse mínimo para viver como bom cristão era uma conquista grandiosa do homem da floresta. Muita gente tombou sob a mira dos poderosos para que eu estivesse ali colhendo folhas da hortinha nos fundos do barracão. Por causa dessa vitória histórica, eu fazia aquilo envaidecido, orgulhoso do meu povo acreano). Ganhei as ruas de seringa, nos altos dos igarapés, e risquei umas quantas árvores pelo caminho. Em cada uma delas, deixei fincada minha tigela na espera dos gotejos preciosos que a nós são oferecidos pela abençoada, pela laureada Hevea brasiliensis. Proseei com meus tios, meus primos, ao anoitecer; ouvi a cotação da borracha pela Rádio Nacional de Brasília e como um bom seringueiro, me aquietei antes do Cruzeiro do Sul tombar no horizonte. Adormecia sempre cansado e pensativo, acompanhando a fumacinha e a tisna que a lamparina desenhava no telhado.
Depois do seringal, passei uns dias na cidade e conheci mais histórias de meu pai. Soube das traquinagens, dos desafios que ele enfrentou. E da batalha que não conseguiu vencer. Histórias fortes. Comoventes.
De homem forte que era, definhou. Morreu naquelas terras longes chamando pelos filhos.
Quando deixei o Acre, trouxe na bagagem meu pai de verdade. Um pai que eu sempre quis ter. Um Manoel audaz que aplicava até injeção e tomava uma bebida chamada leite de onça. Um pai que mesmo na ausência, me ensinou (ou fez nascer em mim, sei lá) esta vontade de ser pai.
Amanhã, a melodia de Manuel, o Audaz, do jeito que o Delcley tocou lá no anfiteatro vai trazer de novo, meu pai pra mim (e vou me confortar com o pouquinho de Manoel que sou). Na hora do almoço, pra abrandar meu coração, vou ficar só ouvindo os meus filhos: “pai, tal coisa assim assim?”, “o que acha disso, pai?”. Pai, isso. Pai, aquilo. Pai...E não vou me cansar de ouvir... “Pai”...
Preciso ouvir.
Raimundo Sodré
Há alguns anos, lá na Praça da República eu vi o Delcley Machado tocando a música “Manuel, o Audaz”, do compositor mineiro Toninho Horta. Fiquei impressionado com aquela apresentação. Primeiro porque o show era ao ar livre e, já sabe né, com direito àquelas limitações de infra que a gente conhece quando o poder público se anima para ofertar um issozinho de bom para o povo. Mas olha só, benza Deus este menino Delcley. Ele foi primoroso, impecável na interpretação. Tocou com uma sensibilidade, com uma entrega. Mergulhou na melodia e nos apresentou alguma coisa que eu acho ser um pedacinho do céu. (E para não ser injusto na lembrança, acompanhando a encantadora guitarra e juncando de flores os solos fenomenais do Delcley, naquele dia, estava uma galera feríssima da música instrumental paraense).
Além do talento dos músicos que se doavam à pura arte, ali no anfiteatro da Praça, a melodia deixou marcas. Eu já conhecia outras versões, inclusive enriquecida com um belo poema, na voz do próprio Toninho Horta, mas naquele dia, a música daquele jeito (só tocada e com aquela harmonia mágica do Delcley), me veio com um calor especial. Calor de pai. Bateu, sabe. Fez tóim óim óim aqui dentro da minha caixola. Liguei o Manuel audaz da canção, ao Manoel meu pai, lá do Xapuri.
Sei pouco sobre ele. Parte do que sei de meu pai é o que minha mãe contava quando eu era pequeno. Depois que cresci, procurei saber mais. Fiz duas viagens ao Xapuri. Na última delas, passei cinco dias no seringal em que nasci e acabei participando da rotina do campo (querendo ser audaz), acordando cedo, espalhando ração pelo terreiro, chamando os bichos pra comer: thu thu thu thu thu (e vinha pato, pintinho, galinha, até porco, cabrito, bode apareciam no quintal atrás dum petisco). Experimentei o desjejum do seringueiro montado com carnes, caldos e o que mais desse ‘sustança’. Fui pra lida. Pilei arroz, tirei mourão, colhi o milho (e sabia que isso, esse usufruto de uma rocinha, um carvão aqui, uma casa de farinha acolá, esse mínimo para viver como bom cristão era uma conquista grandiosa do homem da floresta. Muita gente tombou sob a mira dos poderosos para que eu estivesse ali colhendo folhas da hortinha nos fundos do barracão. Por causa dessa vitória histórica, eu fazia aquilo envaidecido, orgulhoso do meu povo acreano). Ganhei as ruas de seringa, nos altos dos igarapés, e risquei umas quantas árvores pelo caminho. Em cada uma delas, deixei fincada minha tigela na espera dos gotejos preciosos que a nós são oferecidos pela abençoada, pela laureada Hevea brasiliensis. Proseei com meus tios, meus primos, ao anoitecer; ouvi a cotação da borracha pela Rádio Nacional de Brasília e como um bom seringueiro, me aquietei antes do Cruzeiro do Sul tombar no horizonte. Adormecia sempre cansado e pensativo, acompanhando a fumacinha e a tisna que a lamparina desenhava no telhado.
Depois do seringal, passei uns dias na cidade e conheci mais histórias de meu pai. Soube das traquinagens, dos desafios que ele enfrentou. E da batalha que não conseguiu vencer. Histórias fortes. Comoventes.
De homem forte que era, definhou. Morreu naquelas terras longes chamando pelos filhos.
Quando deixei o Acre, trouxe na bagagem meu pai de verdade. Um pai que eu sempre quis ter. Um Manoel audaz que aplicava até injeção e tomava uma bebida chamada leite de onça. Um pai que mesmo na ausência, me ensinou (ou fez nascer em mim, sei lá) esta vontade de ser pai.
Amanhã, a melodia de Manuel, o Audaz, do jeito que o Delcley tocou lá no anfiteatro vai trazer de novo, meu pai pra mim (e vou me confortar com o pouquinho de Manoel que sou). Na hora do almoço, pra abrandar meu coração, vou ficar só ouvindo os meus filhos: “pai, tal coisa assim assim?”, “o que acha disso, pai?”. Pai, isso. Pai, aquilo. Pai...E não vou me cansar de ouvir... “Pai”...
Preciso ouvir.
Marcadores:
crônica da semana raimundo sodré,
pai,
xapuri
sábado, 31 de julho de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
BIA E "BUMBUMPOU"
Aí um videozinho com direção de Marcinha e interpretação Biazinha. Arte final: Márcia. Maquiagem: Márcia. No finalzinho uma participação especial da Bebelzinha. Divirtam-se.
quinta-feira, 15 de julho de 2010
ANIVERSÁRIOS (PRA VARIAR!)
Hoje é o aniversário do tio Inácio, que não gosta de ser chamado de Inácio e sim de Cardoso. Amanhã, 16 é do Felipe. Cadê as homenagens no Pirão dessa galerinha?
sexta-feira, 2 de julho de 2010
CEGONHA NA ÁREA!
Assinar:
Postagens (Atom)













