Um a zero
Eita, que esses dias tá chovendo pacas. E no vácuo das chuvas de verdade, uma outra chuva, a de reclamações contra as empresas de celular ganha volume. É só nublar (o que por agora, ocorre com estreitíssima frequência) que o telefone fica assim, ó, como se tivesse comido abiu. Mudinho da silva. E a gente não consegue falar com ninguém. E dá-lhe ligar para lá, pr’aquele lugar nenhum pra ver se alguém resolve. O ralado, é que ninguém atende ou então, quem atende é uma entidade virtual meio travada, meio pateta, meio sádica, meio tudo que não presta.
Outro dia, passei uma consumição daquelas com a minha internet. E liga, e tenta e nada. Já tava nas últimas, com aquela coisa me subindo, sabe, aquela angústia me apertando o peito, aquela gastura. Já estava na batida da campa da minha paciência quando resolvi ligar pra Anatel.
Taí uma coisa que fiz sem fé, mas que, pelo menos, me aliviou a alma.
Um ponto de extrema importância: uma pessoa de verdade fala com a gente. Só aí já vale. Enquanto lá, na operadora xis (que pode ser qualquer uma. Hoje no mercado, não existe nenhuma melhorzinha. Todas são piores. Todas têm esta vocação nojenta para malinar com a gente e nos deixar pirados) a gente se bate com uma máquina, na Anatel, do outro lado da linha, bate um coração. No meu caso, o coração de uma pequena de nome estranhíssimo, difícil de pronunciar e de guardar. Mas que se mostrou de uma singeleza, uma docilidade de assustar (parece que elas sabem que quando a gente liga pra lá, vai tomado por um sentimento de desamparo, vai movido por um avançado estado de degradação moral. Entendem o nosso sofrimento e nos acalmam).
Contei o meu caso pra pequena e ela se mostrou solidária, partilhou da minha indignação e foi se adiantando em benevolências e corroborações. Aí, abri meu coração pr’ela: “olha, maninha (na completa impossibilidade de pronunciar-lhe o nome, apelei para a intimidade do prosaico paraensismo), posso te falar o que esse povo faz com a gente”? E ela, “Sim, sim”, consentiu-me.
- Eles, sabe, eles são maus. Eles, quando estudavam no prezinho, sabe, eles roubavam o lanchinho dos coleguinhas deles. Eles não respeitam ninguém. Nos deixam esperando ao telefone, tanto tempo, tanto tempo, que a nossa orelha fica uma brasa só. E, sabe, são maus. Eles, não duvido, não, que quando estudavam no prezinho, eles quebravam o lápis dos coleguinhas deles. Tá me ouvindo? Posso continuar?
E ela, candidamente, me permitia:
- Sim, sim, estou ouvindo o senhor.
- Sabias, que teve uma hora que eu ligava, falava um tantinho com a atendente virtual, traços monossilábicas, tipo “não”, “sim”, “aceito”. E de repente caia a linha. Aí, eu ligava outra vez, e repetia a ladainha, e lá a bicha caía de novo. Sabe o que a gravação me falou? Que eu ia ter a minha linha bloqueada porque estava utilizando o serviço indevidamente. Já pensaste? Caramba! Nessa hora quase que eu tenho um troço. Sei lá, esse povo...Sabe, eles são maus que só. Dou minha cara a bufete se eles, no prezinho, não bicudavam a canela dos coleguinhas deles na hora do hino. Duvidedodó se eles, no prezinho, não davam coque nos coleguinhas deles. São maus.
Houve um momento que me deu até uma vontade de chorar. Sério. Mas não foi de desespero, não. Estava emocionado. Agradecido por ter pelo menos alguém para me ouvir. Naqueles instantes, botei todas as minhas apreensões pra fora, os meus traumas, as minhas mais recônditas frustrações, os meus gritos guardados.
Quando encerrei a conversa, estava mais leve, o espírito abrandado. Me despedi e elogiei o atendimento.
Um a zero pra Anatel.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
sábado, 6 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Crônica da semana - Raimundo Sodré
O buraco da palmeira é mais embaixo
Em janeiro, dediquei as minhas escrivinhações de sábado a Belém. Em meio às homenagens pelos 394 anos da cidade, foi a maneira que achei de expressar a minha gratidão por este solo tão gentil.
Fui apenas mais unzinho. Muitos apaixonados declararam seu amor por Belém e das mais variadas formas. Acompanhei. Em shows, em reportagens especiais, em programações temáticas, exposições, testemunhos emocionados nos veículos de comunicação. Poesias, confissões, canções. Belém merece.
Não quero ser aqui, um desmancha prazer. Mas nem tudo são flores. Vou fechar este mês, com algumas necessárias reflexões.
Belém tem problemas graves e a cada dia clama para que seus enamorados a acudam. Assim como a bela de Toboso, a cidade anda por demais vexada ante inúmeros e insidiosos dragões.
Agora, pela época da chuva, é uma consumição só. Um respingo de nada é suficiente para a cidade submergir. E a gente, para garantir a rotina, tem que se arriscar com a água até aqui, ó, com o risco de sair lá no seco, no mínimo, com duas ou três ‘chamichugas’ serpenteando atrevidas na batata da nossa perna.
O trânsito é outro tormento. Deu de tardezinha, já era. O Entroncamento faz jus ao nome (todos os carros, todas as vidas, os ácidos humores e as indizíveis dores, unem-se em um tronco só) e aí, quem desata?
Educação, saúde pública, lazer e zelo ambiental fazem parte de um feixe de direitos que tentamos a todo custo abrigar entre as mãos, mas quite. Escapolem. Fogem da gente. Ganham rumo ignorado. E a gente, olha, atrás...E fala...E luta...E vota...E quando a gente pensa que vai conseguir, quando a gente bota fé que o governo tal vai dar aquela força...Nada...Os nossos sonhos se esvaem, escapolem de novo...
O dragão que se materializa com toda brutalidade e nos assusta, e nos acossa e nos reprime com mais intensidade e fogo é, com certeza, a violência. Não digo que a tensão social é um privilégio nosso, mas por ser Belém uma cidade do bem, por ser nossa cidade, aquela Belém da memória, aquela da saudade, uma cidade de paz que nos permitiu tantas vezes sentar à porta para apreciar o movimento da rua, não conseguimos digerir este estado de violência que vivemos. E não aceitamos isso.
A cada esquina, um risco. E não mais nos escondidos do subúrbio. Não há segregação para o mal e nem para as más intenções. As coisas acontecem descaradamente, a olhos vistos e ninguém está livre de ser hostilizado.
A violência, entretanto, não se realiza apenas no argumento covarde de uma arma. Somos agredidos de várias formas, e de igual maneira, covardes. A toda hora somos atazanados pela barulhada que impera na cidade. Nos reduzimos ante uma perversão sonora que se alastra como uma praga indomável. A todo instante, dezenas de decibéis invadem nosso cérebro despejando pelo caminho graves latejantes, agudos irritantes, versões bizarras, produtos, berros entrecortados, serviços, reverberações, batidões e a irrefutável falta de educação. E nos transformam em bagaço de gente. Poroso, inquieto, nervoso. E nos acendem as lâmpadas dos olhos, inadvertidamente, em plena hora do sossego, do estudo, da reflexão. Somos obrigados a nos divertir com a diversão dos outros. E ainda: estamos perdendo nossos jovens para os vícios, espreitas vis e para os enxerimentos on line. Um mix venenoso que corrói o fígado e a sensatez dos nossos meninos.
Mas Belém é celeiro de um povo conquistador. Tenho esperanças. Podemos trazer a nossa Belém de volta. A Belém de paz, do conforto social, da realização cidadã. Vale a pena apostar nisso e reagir. Porque amamos Belém.
Em janeiro, dediquei as minhas escrivinhações de sábado a Belém. Em meio às homenagens pelos 394 anos da cidade, foi a maneira que achei de expressar a minha gratidão por este solo tão gentil.
Fui apenas mais unzinho. Muitos apaixonados declararam seu amor por Belém e das mais variadas formas. Acompanhei. Em shows, em reportagens especiais, em programações temáticas, exposições, testemunhos emocionados nos veículos de comunicação. Poesias, confissões, canções. Belém merece.
Não quero ser aqui, um desmancha prazer. Mas nem tudo são flores. Vou fechar este mês, com algumas necessárias reflexões.
Belém tem problemas graves e a cada dia clama para que seus enamorados a acudam. Assim como a bela de Toboso, a cidade anda por demais vexada ante inúmeros e insidiosos dragões.
Agora, pela época da chuva, é uma consumição só. Um respingo de nada é suficiente para a cidade submergir. E a gente, para garantir a rotina, tem que se arriscar com a água até aqui, ó, com o risco de sair lá no seco, no mínimo, com duas ou três ‘chamichugas’ serpenteando atrevidas na batata da nossa perna.
O trânsito é outro tormento. Deu de tardezinha, já era. O Entroncamento faz jus ao nome (todos os carros, todas as vidas, os ácidos humores e as indizíveis dores, unem-se em um tronco só) e aí, quem desata?
Educação, saúde pública, lazer e zelo ambiental fazem parte de um feixe de direitos que tentamos a todo custo abrigar entre as mãos, mas quite. Escapolem. Fogem da gente. Ganham rumo ignorado. E a gente, olha, atrás...E fala...E luta...E vota...E quando a gente pensa que vai conseguir, quando a gente bota fé que o governo tal vai dar aquela força...Nada...Os nossos sonhos se esvaem, escapolem de novo...
O dragão que se materializa com toda brutalidade e nos assusta, e nos acossa e nos reprime com mais intensidade e fogo é, com certeza, a violência. Não digo que a tensão social é um privilégio nosso, mas por ser Belém uma cidade do bem, por ser nossa cidade, aquela Belém da memória, aquela da saudade, uma cidade de paz que nos permitiu tantas vezes sentar à porta para apreciar o movimento da rua, não conseguimos digerir este estado de violência que vivemos. E não aceitamos isso.
A cada esquina, um risco. E não mais nos escondidos do subúrbio. Não há segregação para o mal e nem para as más intenções. As coisas acontecem descaradamente, a olhos vistos e ninguém está livre de ser hostilizado.
A violência, entretanto, não se realiza apenas no argumento covarde de uma arma. Somos agredidos de várias formas, e de igual maneira, covardes. A toda hora somos atazanados pela barulhada que impera na cidade. Nos reduzimos ante uma perversão sonora que se alastra como uma praga indomável. A todo instante, dezenas de decibéis invadem nosso cérebro despejando pelo caminho graves latejantes, agudos irritantes, versões bizarras, produtos, berros entrecortados, serviços, reverberações, batidões e a irrefutável falta de educação. E nos transformam em bagaço de gente. Poroso, inquieto, nervoso. E nos acendem as lâmpadas dos olhos, inadvertidamente, em plena hora do sossego, do estudo, da reflexão. Somos obrigados a nos divertir com a diversão dos outros. E ainda: estamos perdendo nossos jovens para os vícios, espreitas vis e para os enxerimentos on line. Um mix venenoso que corrói o fígado e a sensatez dos nossos meninos.
Mas Belém é celeiro de um povo conquistador. Tenho esperanças. Podemos trazer a nossa Belém de volta. A Belém de paz, do conforto social, da realização cidadã. Vale a pena apostar nisso e reagir. Porque amamos Belém.
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Aniversário do Rui
Feliz aniversário para o Rui, nosso sobrinho. Como diz o "cabôco", moleque "sangue bom".
Em breve ele comemorará seus próximos aniversários em pleno oceano, a bordo de grandes navios ou mesmo em países estrangeiros, comendo bolo francês, russo, africano e quem sabe até mesmo brasileiro e ainda, recebendo só presente importado!
Parabéns prá família toda, ali, na Pariquis.
Em breve ele comemorará seus próximos aniversários em pleno oceano, a bordo de grandes navios ou mesmo em países estrangeiros, comendo bolo francês, russo, africano e quem sabe até mesmo brasileiro e ainda, recebendo só presente importado!
Parabéns prá família toda, ali, na Pariquis.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Crônica da semana - Raimundo Sodré
O largo da Palmeira
A periferia de Belém alimenta a nossa saudade. Define os nossos ressurgentes calores subjetivos. A franja da cidade guarda em si pedacinhos adocicados da história de cada um de nós.
Mas o que nos identifica como coletividade, o que nos certifica como um conjunto de cidadãos orgulhosos é, evidentemente, o centro. Mais exatamente aquela fatia da cidade que se espraia a partir do Forte do Presépio e se acomoda no interflúvio que se impõe entre o rego do Piry e o alagado do igarapé das Almas (aquele trecho entre o Ver-o-Peso e a Doca).
Neste espaço mágico, visões e conceitos estéticos se encontram nos ‘éles’ de Lemos e de Landi. Geometria moderna e traços medievais se decompõem em pura poesia ‘concreta’. É um espaço plural. Repleto de jóias da criação.
Ali, também tenho os meus cantinhos e as igrejas têm um lugar todo especial no meu coração belemense.
Até um dia desses, a minha preferida era a do Carmo. Mas depois que eu vi a igreja da Sé restaurada...
São importantes, as igrejas, e para mim, elas se destacam não só pelo caráter religioso. Os nossos templos históricos ao mesmo tempo em que se esmeram em suntuosidades arquitetônicas buscando os céus, estabelecem uma linguagem terrena, abraçam crentes e pagãos com suas fachadas acolhedoras. Ao largo das igrejas, percebo uma certa indulgência para com nossos atos e intenções. É normal agregar-se a um grande templo, uma praça verde e libertária. E nela, são reveladas as emoções profanas (como o Fofó de Belém, do Eloy Iglesias) ou reiteradas a fé e a crença (como a concentração para o sacrifício da Corda, no Círio de Nazaré).
As edificações, portentosas e belas registram-se como
igrejas construídas e, como povo em eterna construção. Emergem da ancestralidade como símbolo de uma história santa e pecadora. Animam a nossa fé, e paradoxalmente, atiçam a nossa curiosidade e ratificam nossos medos (será que tem um menino de castigo, duro, com a língua pra fora, com a vassoura na mão porque queria bater na mãe, atrás da porta da catedral da Sé?).
Entendo que há um diálogo, uma energia edificante ladeando nossos prédios históricos.
O conjunto igreja do Rosário/ igreja de Sant’ana é para mim o exemplo mais eficaz desta integração entre as construções. Estão bem próximas. A igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos ergue-se numa esquina da Padre Prudêncio. Uma quadra depois, além do buraco da Palmeira, está a igreja de Sant’Ana. As duas são um brinco. Delicadas. Humildes e dispostas. Entregam-se sem receio à cidade. Na igreja do Rosário, me encanta aquela pracinha, à entrada, quase intacta, preservada, solitária, ordeira, quase um alpendre interiorano. Parece uma redinha da tarde pronta para embalar a poesia e para ouvir os nossos segredos.
Do outro lado do buraco, a igreja de Sant’Ana pressionada pelo ir e vir urbano. E é verdadeiramente mais urbana. A pracinha, dissociada da calçada, separada pela rua, é também, convenientemente, desatrelada da inocência. Embora respeite o gradil da igreja de Sant’Ana, a pracinha é alegre e libertina, algo como um brando arremedo da carioquíssima Cinelândia.
As duas igrejas, parece que se complementam em prodigalidades e carências. Existem para serem parceiras. São construções estética e socialmente siamesas. Necessitam de um diálogo constante. Eu não sou arquiteto, nem nada, mas se pudesse apitar alguma coisa, jamais separaria Sant’Ana da igreja do Rosário dos Homens Pretos. Jamais levantaria um muro feio e frio entre as duas. Jamais. Mesmo que para isso, tivesse que eternizar o antigo largo como o, já referendado, buraco da Palmeira.
A periferia de Belém alimenta a nossa saudade. Define os nossos ressurgentes calores subjetivos. A franja da cidade guarda em si pedacinhos adocicados da história de cada um de nós.
Mas o que nos identifica como coletividade, o que nos certifica como um conjunto de cidadãos orgulhosos é, evidentemente, o centro. Mais exatamente aquela fatia da cidade que se espraia a partir do Forte do Presépio e se acomoda no interflúvio que se impõe entre o rego do Piry e o alagado do igarapé das Almas (aquele trecho entre o Ver-o-Peso e a Doca).
Neste espaço mágico, visões e conceitos estéticos se encontram nos ‘éles’ de Lemos e de Landi. Geometria moderna e traços medievais se decompõem em pura poesia ‘concreta’. É um espaço plural. Repleto de jóias da criação.
Ali, também tenho os meus cantinhos e as igrejas têm um lugar todo especial no meu coração belemense.
Até um dia desses, a minha preferida era a do Carmo. Mas depois que eu vi a igreja da Sé restaurada...
São importantes, as igrejas, e para mim, elas se destacam não só pelo caráter religioso. Os nossos templos históricos ao mesmo tempo em que se esmeram em suntuosidades arquitetônicas buscando os céus, estabelecem uma linguagem terrena, abraçam crentes e pagãos com suas fachadas acolhedoras. Ao largo das igrejas, percebo uma certa indulgência para com nossos atos e intenções. É normal agregar-se a um grande templo, uma praça verde e libertária. E nela, são reveladas as emoções profanas (como o Fofó de Belém, do Eloy Iglesias) ou reiteradas a fé e a crença (como a concentração para o sacrifício da Corda, no Círio de Nazaré).
As edificações, portentosas e belas registram-se como
igrejas construídas e, como povo em eterna construção. Emergem da ancestralidade como símbolo de uma história santa e pecadora. Animam a nossa fé, e paradoxalmente, atiçam a nossa curiosidade e ratificam nossos medos (será que tem um menino de castigo, duro, com a língua pra fora, com a vassoura na mão porque queria bater na mãe, atrás da porta da catedral da Sé?).
Entendo que há um diálogo, uma energia edificante ladeando nossos prédios históricos.
O conjunto igreja do Rosário/ igreja de Sant’ana é para mim o exemplo mais eficaz desta integração entre as construções. Estão bem próximas. A igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos ergue-se numa esquina da Padre Prudêncio. Uma quadra depois, além do buraco da Palmeira, está a igreja de Sant’Ana. As duas são um brinco. Delicadas. Humildes e dispostas. Entregam-se sem receio à cidade. Na igreja do Rosário, me encanta aquela pracinha, à entrada, quase intacta, preservada, solitária, ordeira, quase um alpendre interiorano. Parece uma redinha da tarde pronta para embalar a poesia e para ouvir os nossos segredos.
Do outro lado do buraco, a igreja de Sant’Ana pressionada pelo ir e vir urbano. E é verdadeiramente mais urbana. A pracinha, dissociada da calçada, separada pela rua, é também, convenientemente, desatrelada da inocência. Embora respeite o gradil da igreja de Sant’Ana, a pracinha é alegre e libertina, algo como um brando arremedo da carioquíssima Cinelândia.
As duas igrejas, parece que se complementam em prodigalidades e carências. Existem para serem parceiras. São construções estética e socialmente siamesas. Necessitam de um diálogo constante. Eu não sou arquiteto, nem nada, mas se pudesse apitar alguma coisa, jamais separaria Sant’Ana da igreja do Rosário dos Homens Pretos. Jamais levantaria um muro feio e frio entre as duas. Jamais. Mesmo que para isso, tivesse que eternizar o antigo largo como o, já referendado, buraco da Palmeira.
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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Paraenses "panemas"
Cliquem aqui e vejam a pissica alheia.
ISOLA!!!!
ISOLA!!!!
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sábado, 23 de janeiro de 2010
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Francisco Cardoso
Grande tio Chico. Nos deixou ontem e foi se juntar ao velho José Cardoso, nosso avô.
Estaremos todos rezando pelo senhor.
Descanse em paz.
Estaremos todos rezando pelo senhor.
Descanse em paz.
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Um beijão de parabéns pra BIbi
Compartilho das palavras do meu mano velho, Artur. Também quero manifestar a minha grata certeza de que nossos filhos e sobrinhos vão no rumo certo (como diz o "caboco"), deixando-nos um pouco mais tranquilos com relação ao futuro.
"Que virtudes foram minhas?
Que pecados confessar?
Que territórios de enganos
A meus filhos vou legar?
A quem passarei meu canto
Quando meu canto passar?"
(Rui Barata)
Essas incertezas são menores hoje. Parabéns Bianca, linda.
"Que virtudes foram minhas?
Que pecados confessar?
Que territórios de enganos
A meus filhos vou legar?
A quem passarei meu canto
Quando meu canto passar?"
(Rui Barata)
Essas incertezas são menores hoje. Parabéns Bianca, linda.
Muitas felicidades prá Bianca!!!
Um beijo na minha filha, Bianca, pessoa linda, nossa companheira em qualquer momento!!!
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